Exame avalia, no início da gestação, risco de desenvolver Pré-eclâmpsia

13 de agosto de 2020

A pré-eclâmpsia é uma complicação séria da gravidez, que pode ser desenvolvida a partir da 20ª semana e até seis semanas após o parto. Você sabia que existe triagem logo no início da gestação para saber o risco de desenvolvê-la? Essa triagem, juntamente com o histórico de avaliação médica, permite identificar no primeiro trimestre de gestação mulheres com alto risco de desenvolver essa condição muito antes dos sintomas aparecerem. É um passo importante para proteger a saúde da mãe e do bebê, pois possibilita o monitoramento e o tratamento adequado no momento certo para evitar suas complicações.

Ela inclui um exame de sangue, identificado como teste de biomarcadores PIGF 1-2-3, a medida da pressão arterial e, em alguns casos, um ultrassom específico. O exame de sangue é simples, não precisa de preparo, realizado por alguns laboratórios particulares, e deve ser colhido entre a 11ª e 14ª semana de gestação. Esse exame tem caráter preventivo, pode ser utilizado no auxílio do diagnóstico da pré-eclâmpsia e também no prognóstico da doença no curto prazo em gestantes com suspeita. Além disso, ele pode ser usado no segundo e terceiro trimestres para uma reavaliação, monitoramento e diagnósticos eficientes. O médico vai interpretá-lo em conjunto com dados clínicos e laboratoriais.

Também é preciso destacar que esse teste sanguíneo é validado apenas para gestações de um único feto e que, infelizmente, ainda não está no rol dos exames cobertos pelo SUS, nem mesmo por alguns planos de saúde, somente como opção de investimento particular. Mãe Que Ama espera que um dia (e muito breve) esse passe a ser um direito de todas as futuras mamães!

É muito importante conversar com o médico sobre a necessidade e possibilidade de fazer essa avaliação para o diagnóstico precoce de pré-eclâmpsia. Reforçamos: com essa triagem, é possível avaliar o risco de ter a condição nas próximas semanas de gravidez e, assim, reduzir as antecipações desnecessárias de parto, o número de dias de internação e intensificar o monitoramento para que ela não evolua para uma eclampsia adotando um tratamento adequado.

 

O estudo ASPRE

O ASPRE é o maior estudo multinacional sobre a triagem de Pré-eclâmpsia. Financiado pela União Europeia e administrado pela Fetal Medicine Foundation, ele envolvendo mais de 30.000 gestantes em 6 países e mostrou que o tratamento simples com doses baixas de aspirina, sob recomendação e supervisão direta do médico, é efetivo para a prevenção da pré-eclâmpsia. Para identificar as mulheres do grupo de alto risco, o ASPRE empregou um programa de triagem combinada para primeiro trimestre, que incluiu o exame de sangue a partir do ensaio PIGF 1-2-3.

O objetivo do estudo foi avaliar a eficácia da triagem no 1º trimestre e o benefício da aspirina em baixas doses na evolução da gravidez para aquelas pacientes com alto risco.

Os resultados do ASPRE mostraram que a taxa de desenvolvimento de pré-eclâmpsia precoce caiu em 82%, e pré-eclâmpsia pré-termo em 62%, entre aquelas que receberam 150 mg de tratamento com aspirina por noite e estavam em alto risco de desenvolver a doença.

Uma análise secundária provou que, ao excluir as pacientes que conhecidamente sofrem de pressão arterial alta crônica, a terapia com aspirina permite quase erradicar a pré-eclâmpsia pré-termo em pacientes que estão seguindo corretamente o tratamento com aspirina, em 90% dos casos.

Esta é uma evidência convincente de que um programa de triagem, associado a um tratamento com baixa dose de aspirina, pode ajudar a reduzir a taxa de pré-eclâmpsia pré-termo e atrasar ou prevenir a pré-eclâmpsia. Embora o tratamento com aspirina não seja uma cura para a pré-eclâmpsia, menos mulheres precisam sofrer desta doença grave se a aspirina em baixas doses for administrada no início da gravidez.

 

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