Saúde materna

Mãe, como cuidar da sua saúde mental? 1024 184 Carol
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Mãe, como cuidar da sua saúde mental?

Mente e emoções são partes integrantes da nossa saúde tão essenciais à vida e tão impactantes em nossa realidade quanto o nosso corpo.  Falar em saúde mental não pode ser algo cercado de medos e preconceitos, pois essa deve ser uma das nossas prioridades todos os dias. Trazendo para a maternidade então, não precisamos e nem podemos cuidar dos outros sem cuidar de nós mesmas. E esse entendimento é um passo decisivo na busca do equilíbrio emocional tão importante nessa fase da mulher.

Os ciclos que envolvem a maternidade são acompanhados de experiências intensas e de grandes transformações sendo comum que a mulher fique mais sensível e vulnerável e assim precise de uma rede de apoio. O que ocorre é que muitas vezes as mães não sabem e não falam sobre essas dificuldades e têm medo de admitirem que precisam de apoio ao nível psicológico, mental, emocional, por receio de serem julgadas, consideradas incapazes de cuidar de seus filhos e de lidar com a maternidade. Muitas sofrem caladas.

É necessário mudar isso. E a informação é grande aliada nesse processo. Por isso, conversamos com a psicóloga e arteterapeuta especializada em perinatalidade e parentalidade, Erika Novaes, e trouxemos alguns pontos que merecem uma reflexão e podem ajudar as mamães a deixarem o medo de lado e manterem-se mentalmente sadias.


MQA: O QUE AS MÃES PRECISAM SABER SOBRE SAÚDE MENTAL E OS PRINCIPAIS CUIDADOS PARA O EQUILÍBRIO EMOCIONAL?

ERIKA NOVAES: O ciclo gravídico puerperal (gestação, parto e puerpério – [período de 6 a 8 semanas pós-parto durante o qual o corpo retorna ao estado pré-gravidez]), é uma fase delicada da vida da mulher à medida que física e psiquicamente, o processo de gestar, parir e cuidar de um bebê pode tratar-se de experiência intensa e de grandes transformações. Não é incomum que a mulher se sinta mais sensível e fique mais vulnerável. Seu corpo está mudando, os papéis sociais mudam, e a vida toda pode ser que seja resignificada. Por conta deste estado de vulnerabilidade, inconstância e desconhecimento, é que pode ser importante, e bastante benéfico que a gestante possa participar de grupos de gestantes, grupos terapêuticos, pré-natal psicológico, ou psicoterapia individual, no sentido de se permitir um encontro consigo mesma e com todas as mudanças psíquicas pelas quais está passando e ainda irá passar no puerpério.

Em algumas situações, mais que outras, é necessário que se preste mais atenção à possíveis sintomas, como por exemplo, se a gestante tem um histórico de depressão, transtorno de ansiedade, ou qualquer transtorno psiquiátrico. Nestes casos, a importância de um acompanhamento psicológico pode ser ainda mais importante.

É necessário que as mulheres saibam e falem sobre a solidão do puerpério e da maternidade, para que possam antecipar-se e tentar, na medida de suas possibilidades, criar uma rede de apoio em seu entorno.  Ter com quem contar também pode ajudar a manter-se mentalmente sadia.

 

MQA: A PSICOLOGIA FALA EM NASCIMENTO PSÍQUICO DA MÃE, QUE PODE ACONTECER EM MOMENTOS DIFERENTES. O QUE É E COMO ENTENDER ESSE NASCIMENTO?

ERIKA NOVAES: O nascimento psíquico de uma mãe acontece no momento em que ela deseja a maternidade e, mais que isso, no momento em que ela deseja aquele filho que espera e gera em seu ventre. Pode ocorrer de uma mulher gestar, parir e uma mãe nascer apenas depois do convívio com o filho. Isso não a torna, necessariamente, menos apta. Ela pode tornar-se mãe a partir da ideia de engravidar, durante a gestação, no nascimento, ou pode ser que, naquela gestação específica esse nascimento simplesmente não aconteça. É importante que isso seja dito, a partir do pensamento de que vivemos em uma sociedade que ainda acredita que exista um instinto materno capaz de nos fazer amar a priori e incondicionalmente nossos filhos, sem levar em conta a subjetividade de cada mulher, suas realidades e o próprio contingente cultural no qual estamos inseridos.


MQA: A QUE SE REFERE O TERMO “BABY BLUES” E QUAL A SUA RELAÇÃO COM A DEPRESSÃO PÓS-PARTO?

ERIKA NOVAES: Baby blues e depressão pós-parto são coisas completamente diferentes, apesar de parecerem iguais em muitos aspectos. Baby blues ou tristeza materna é um estado de melancolia no qual a grande maioria das mulheres se encontra durante parte do puerpério. Não é doença, é funcional e faz parte do processo de se haver com todas as transformações decorrentes da maternidade, e com os lutos que se faz ao parir um bebê (pela perda da barriga, pela perda do filho que se imaginava e que nunca vem igual ao que se idealizava, pela perda do papel de filha, dentre outros). Isso sem levar em conta, também, as questões hormonais.

Depressão pós-parto, por sua vez, se trata de uma depressão desencadeada por algum processo ligado ao gestar e parir/cuidar e que se dá no puerpério. É um quadro que necessita atenção, que pode requerer tratamento psiquiátrico e acompanhamento psicológico.

 

MQA: E O QUE DIZER SOBRE A AFIRMAÇÃO DE QUE “MÃE PRECISA DE COLO”?

ERIKA NOVAES: Qualquer afirmação quando se fala em maternidade, não me soa muito bem. No entanto, parece ser quase um fato consumado que mãe precisa sim de colo. Se pensarmos na maternidade como uma experiência de ruptura, do papel de filha, do corpo de antes da gestação, do filho ideal e do ideal de mãe que se tinha antes de tornar-se mãe… Ou seja, se pensarmos na maternidade como uma vivência na qual nada fica no lugar de antes, e que, por isso a mulher se encontra em um estado de vulnerabilidade psíquica, dar apoio a ela, ofertando não apenas colo, mas ouvidos empáticos e, efetivamente, ajuda prática, as chances de ela desenvolver qualquer transtorno psíquico cai, ela se sentirá, provavelmente, mais feliz e mais confiante, e uma mãe feliz e confiante, tende a desempenhar a função materna de maneira mais interessante. E quem ajuda, pode sentir-se envolto a uma experiência muito transformadora. Todos saem ganhando.


Sobre a entrevistada:

Erika S. de Novaes (CRP. 06/102892) –  nucleoanima@gmail.com
Psicóloga e arteterapeuta formada pela Universidade Paulista (UNIP), é especializada em perinatalidade e parentalidade pelo Instituto Gerar de Psicologia Perinatal e Parental.  Atua na área clínica com atendimento a gestantes, casais e puérperas, e coordenando grupos terapêuticos e oficinas criativas. Educadora perinatal pelo Gama (Grupo de Apoio a Maternidade Ativa), ministra aulas em cursos de formação e oficinas, e coordena grupos terapêuticos para profissionais do parto e doulas, além da atuação com doulagem de parto propriamente dita.

Como é a gravidez de uma mulher soropositiva? 1024 184 admin

Como é a gravidez de uma mulher soropositiva?

Gravidez soropositiva, como é essa gestação? Infelizmente, portadores do vírus HIV/AIDS ainda são estigmatizados socialmente. Isso acarreta um fardo a mais a essas pessoas além da própria doença que, apesar dos progressos nos últimos anos, possui efeitos colaterais e requer cuidados especiais.

No caso de mulheres soropositivas que têm o desejo de engravidar, alguns cuidados devem ser tomados. Seguindo as orientações médicas direitinho, as chances da chamada transmissão vertical, ou seja, de mãe para filho, são mínimas.

No geral, a mãe deve usar remédios antirretrovirais combinados com o recém-nascido, o parto cesáreo e a não amamentação. Infelizmente, o leite materno carrega o vírus, mas o SUS fornece o substituto (fórmula infantil) até os 6 meses de vida. Esse prazo também pode ser estendido até 12 meses em alguns estados. Em adição, a mãe pode recorrer a bancos de leite. Sem qualquer cuidado, no entanto, as chances de a criança ser infectada sobem drasticamente.

Qual tipo de parto é o mais recomendando durante uma gravidez soropositiva?

Conforme o Ministério da Saúde, o tipo de parto recomendado depende do estado de saúde materno. Se, após a 34ª semana, a carga viral é igual ou maior que 1000 cópias/ml de sangue o mais indicado é a cesariana eletiva; aquela realizada antes de começar o trabalho de parto, portanto, sem o rompimento da bolsa. Normalmente, ela é marcada para a 38ª semana.

As gestantes que chegam à maternidade em trabalho de parto e/ou não fizeram o tratamento no pré-natal, o médico irá avaliar, caso a caso, a melhor forma de proceder o parto. Ele vai levar em consideração a fase e o tempo previsto para os procedimentos de cada um, assim como a probabilidade de complicações. Isso ainda se o trabalho de parto estiver acelerado ou não. Tudo é levantado para os profissionais de saúde tomarem decisões acertadas.

Durante o parto toda grávida soropositiva deve receber AZT na veia do começo do trabalho de parto até o nascimento da criança. Para cesáreas, o consumo do medicamento será feito 3 horas antes da cirurgia até o nascimento.

O recém-nascido também precisa do AZT das primeiras duas horas de vida às próximas 6 semanas, além do acompanhamento em serviço de referência para crianças expostas ao vírus. A alta da maternidade deve ser feita com consulta marcada para esse acompanhamento da criança. E a data não deve ser superior a 30 dias a partir da data de nascimento.

Para mais informações de saúde gestacional e neonatal, continue a acompanhar nosso site e redes sociais. Ficou com alguma dúvida? Comente ou mande diretamente no e-mail.

Queremos te ouvir! 😉

Toxoplasmose na gravidez: entenda sobre a doença 1024 184 admin

Toxoplasmose na gravidez: entenda sobre a doença

Diferente das outras doenças detectadas pelo teste do pezinho a toxoplasmose na gravidez tem sua origem em uma doença externa ao feto.

Geralmente é propagada ao bebê quando a mulher adquire a infecção durante a gravidez. Apesar de consequências leves para a gestante, o feto acometido pela toxoplasmose congênita apresenta consequências e quadros diferentes de acordo com a época que a mãe foi contaminada.

Como ocorre a transmissão?

Um dos fatores mais conhecidos é por meio de dejetos de gatos. Tal forma de transmissão é tão conhecida que em algumas regiões a complicação é chamada de “doença do gato”. Porém, não se deve culpar o animal de estimação, pois o foco de transmissão é a má higienização de alimentos, e a manipulação de materiais infectados pelo toxoplasma gongii.

É uma doença que devemos tomar cuidado, pois o parasita é caracterizado por ser um dos mais comuns no mundo. Portanto, sua adaptabilidade é notável e sua infecção é capaz de atingir os mais diversos pontos do corpo humano. Podendo, inclusive, atingir a placenta que resguarda o bebê e promove seu desenvolvimento.

Se a mãe for diagnosticada com a Toxoplasmose antes da quinta semana, os danos ao feto são severos. Porém, apenas 5% dos fetos são afetados. Contudo, se a infecção ocorre ao final da gestação as taxam se aproximam de 80% dos bebês, deixando sequelas menos graves.

Como evitar o contágio da Toxoplasmose?

A mulher naturalmente desenvolve uma imunidade à doença se teve contato com a enfermidade anteriormente. Porém, deve-se ter um cuidado especial com a higiene e evitar o contágio.

Alguns hábitos que podem ajudar na manutenção de sua saúde e de seu bebê:

  • Lave bem suas mãos;
  • Mantenha as unhas aparadas, e evite o costume de “roê-las”;
  • Evite o consumo de carnes mal passadas e cruas;
  • Frutas e legumes devem estar bem limpos;

E já lhe tranquilizamos no caso de algum parente próximo estar com toxoplasmose, a doença não é contagiosa.

Acho que fui infectada durante a gestação, e agora?

Se estiver com suspeita de estar com a doença busque assistência médica o mais rápido possível. Confirmada a doença, o tratamento é efetuado por meio de antibióticos para evitar o contágio à criança, dessa forma, deve ser mantido um cuidado regrado pelas recomendações médicas, já que a medicação varia conforme o sistema imunológico da mãe e o estágio da gravidez que foi detectada a toxoplasmose.

Riscos da Toxoplasmose congênita

Se a toxoplasmose não for diagnosticada antes do nascimento, pode acarretar em consequências para a criança durante sua vida, os sintomas podem aparecer semanas ou até anos depois. Uma das formas mais simples de detectá-la no nascimento é via teste do pezinho ampliado, matéria de destaque no portal Mama. Além do Toxoplasma Gongii, o teste é capaz de detectar outros grupos de doenças. Leia mais sobre o assunto aqui.

Os principais problemas clínicos da toxoplasmose congênita para o bebê são:

  • Complicações neurológicas: Retardo mental, convulsões, problemas decorrentes da modificação do tamanho do crânio.
  • Complicações oftalmológicas: Inflamação dos olhos, podendo evoluir para a cegueira, estrabismo.
  • Outras complicações: Icterícia intensa que resulta em pele e olhos amarelados, aumento do tamanho do fígado, pneumonia, anemia, inflamação do coração, surdez, prematuridade, retardo do crescimento intra-uterino, anemia, trombocitopenia, aumento do volume abdominal, aumento dos gânglios.

A toxoplasmose se trata de um problema que pode ser evitado facilmente, e mesmo que contraída, o seu tratamento não possui complicações. Contudo, para os bebês, pode prejudicar todo o decorrer de uma vida, por isso fique atenta!

Até a próxima 😉

Veja mais sobre o assunto na sessão: Recém-nascido.

Para outras informações sobre saúde do bebê e gestante é só continuar acompanhando o nosso portal MAMA – Mãe que Ama.

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