Trombofilia e os riscos para a gravidez

15 de abril de 2019

A trombofilia é uma tendência de que o sangue forme trombos, ou seja, acontece quando há maior facilidade para formar coágulos de sangue, aumentando o risco de obstrução dos vasos sanguíneos e, assim, complicações como trombose venosa, AVC ou embolia pulmonar, por exemplo.

Os coágulos formados pela trombofilia surgem porque as enzimas do sangue, que fazem a coagulação, deixam de funcionar corretamente. Isso pode acontecer devido a causas hereditárias, pela genética, ou acontecer por causas adquiridas ao longo da vida, como por gravidez, obesidade ou câncer, e as chances também podem aumentar pelo uso de medicamentos, como anticoncepcionais orais. Pessoas com esta condição normalmente apresentam inchaço no corpo, inflamação das pernas ou sensação de falta de ar.

 

Trombofilia na gravidez

A gravidez em si é um fator de risco para a formação de trombos e a possibilidade de um entupimento requer atenção médica e um tratamento durante toda a gestação. Segundo o Ministério da Saúde, grávidas são até cinco vezes mais propensas a sofrer com trombofilia.

Como o sangue fica mais espesso, pode haver entupimento tanto das veias da mãe como obstrução da circulação do sangue que vai para a placenta. O risco do quadro varia muito. Elas podem apresentar desde inchaço e alterações na pele, trombose nas pernas e outros membros, até situações mais graves, como o desprendimento da placenta, pré-eclâmpsia, redução do crescimento fetal, parto prematuro, aborto e tromboembolismo (quando as artérias ou veias do pulmão ficam obstruídas), quadro que pode levar a óbito.

 

 

Sintomas

Muitas vezes essa condição é assintomática, mas um dos sinais de alerta é o inchaço repentino. Aquelas gestantes que têm pré-eclâmpsia antes de 34 semanas de gravidez também devem ficar atentas. Outro sinal de alerta é quando a barriga da mãe cresce pouco, já que o bebê não se desenvolve como esperado. Em manifestações específicas, os principais sintomas são:

– Trombose venosa profunda: Inchaço de alguma parte do corpo, principalmente as pernas, que ficam inflamadas, vermelhas e quentes;
– Embolia pulmonar: Intensa falta de ar e dificuldade para respirar;
– AVC: Perda súbita de movimentos, da fala ou da visão, por exemplo;
– Trombose na placenta ou cordão umbilical: Abortos de repetição, parto prematuro e complicações na gravidez, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia.

 

Diagnóstico

A trombofilia pode ser diagnosticada a partir da suspeita do médico clínico geral ou hematologista pela história clínica e familiar de cada pessoa, que pode pedir alguns exames como hemograma, dosagem de glicemia e colesterol, para confirmar e indicar o melhor tratamento. Quando há suspeita de trombofilia hereditária, principalmente quando os sintomas podem ser repetitivos, além destes exames, são solicitadas as dosagens de enzimas da coagulação do sangue, para avaliar seus níveis.

 

Cuidados e tratamento

A gestante deve ficar ainda mais atenta à balança e praticar atividades físicas com regularidade. Quanto mais avançada a idade da mulher, maior é o risco de trombofilia.

Se for viajar de avião, os exames do bebê têm de estar normais e, mesmo assim, os médicos só costumam liberar trajetos mais curtos, com duração máxima de 4 horas. Nesse período, é importante que a grávida se mantenha bem hidratada e tente se mexer durante o voo. No dia a dia, devem ser tomadas outras precauções gerais, como uso de meias elásticas, controle clínico e obstétrico regular.

De acordo com o histórico pessoal e familiar, e com os resultados dos exames de trombofilia, pode ser necessário uso de heparina e/ou ácido acetilsalicílico, entre outros medicamentos.

O tratamento também é feito com anticoagulante injetável: a aplicação diária de injeções de enoxaparina, princípio ativo que freia a coagulação. Elas são administradas em casa, pela própria mulher ou familiares, na barriga ou na parte interior da perna, e a dose pode variar de acordo com as situações e recomendações médicas para cada caso.

Vale destacar: mesmo com o tratamento, a gestação de grávidas com trombofilia é sempre de alto risco. Por isso, é preciso fazer um pré-natal rigoroso, acompanhando bem de perto tanto a saúde da mãe como a do bebê.

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