A síndrome de Hellp pode ser fatal pra mãe e pro bebê

15 de fevereiro de 2018

A Síndrome de Hellp é uma descoberta relativamente recente da medicina – apenas na segunda metade do século XX ela foi classificada como síndrome laboratorial – e seu nome vem de um acrônimo em inglês que identifica suas principais características:

  1. H de Hemolytic anemia. Hemólise é a fragmentação das células do sangue;
  2. EL de Elevated Liver enzymes. Elevação das enzimas hepáticas em tradução;
  3. LP de Low Platelet count. Baixa contagem de plaquetas. É importante lembrar que as plaquetas são células que auxiliam na coagulação sanguínea e por isso um dos sintomas dessa síndrome é a hemorragia.

Condição exclusiva da gravidez e podendo ocorrer no pós-parto também, a Hellp é uma complicação da pré-eclâmpsia (hipertensão na gestação, da qual já falamos aqui, doença que mais mata grávidas no Brasil. É estimado que 8% dessas gestantes que tiveram pré-eclâmpsia vão sofrer com a síndrome também. Em números absolutos, a síndrome de Hellp atinge de 0.2% a 0.6% das gestações. Portanto, ela é bem rara. Este fator contribui para a falta de conhecimento sobre a doença. Outra contribuição é o fato de ela ser de difícil diagnóstico.

Necessariamente, as características citadas acima devem ocorrer para ser chamada de Hellp. Sintomas como: dor na parte alta ou central do abdome, cefaleia, náuseas, vômitos e mal-estar generalizado são os mais comuns. O agravamento pode vir na forma de edema agudo dos pulmões, insuficiência renal, falência cardíaca, hemorragias e ruptura do fígado, podendo ocasionar a morte materna e fetal. Isso pode ser evitado se, através de exames clínicos e laboratoriais, a Síndrome de Hellp for diagnosticada com antecedência e a mulher for internada para um acompanhamento obstétrico mais próximo. O tratamento vai variar de acordo com a idade gestacional em que há complicações:

  • Menos de 34 semanas – injeções de corticosteroides são aplicadas: a 1ª, no músculo deltóide (braço). A 2ª, no glúteo. Elas servem para desenvolver os pulmões do bebê e adiantar o parto.
  • Após 34 semanas – é induzido o parto precoce para evitar o sofrimento do feto e a morte da mãe.
  • Menos de 24 semanas – nenhum tratamento é eficaz e é preciso que haja interrupção da gravidez.

Isso ocorre porque a síndrome entende que o bebê é um corpo estranho ao organismo da mãe e tenta ‘expulsá-lo’. Este conflito gera as complicações e por isso o único jeito de acabar com a Hellp é interromper com a gestação, seja por parto induzido/cesárea (quando possível), ou por aborto. Essas informações todas mostram o quão importante é fazer o acompanhamento Pré-natal adequadamente. A qualquer discrepância, a resposta pode ser rápida e, portanto, mais eficaz.

Grupos de Risco da síndrome de Hellp

As mulheres que possuem uma predisposição à Síndrome de Hellp são as mesmas da pré-eclâmpsia:

  • Histórico familiar de pré-eclâmpsia
  • Primeira gravidez
  • Nova paternidade, ou seja: cada gravidez com um novo parceiro pode aumentar o risco de pré-eclâmpsia.
  • Idade, sendo que o risco é maior após os 35 anos.
  • Gravidez múltipla
  • Intervalo de 10 anos ou mais entre as gestações.

Se a mamãe possui um histórico com outras doenças, também pode entrar para o grupo de risco. Exemplos de doenças são:

  • Obesidade
  • Hipertensão
  • Enxaqueca
  • Diabetes tipo 1 ou diabetes tipo 2
  • Doença renal
  • Tendência a desenvolver coágulos de sangue (trombofilias)
  • Doença autoimune, como a artrite reumatoide, esclerodermia e lúpus.

Por se tratar de uma síndrome rara, os métodos preventivos para a Hellp são incertos. Em geral, para uma gestação saudável é importante  o peso controlado, fazer uma dieta adequada, ter um estilo de vida saudável, fazer acompanhamento pré natal e ficar muito ligada à todos os sintomas e sinais desde o início da gestação

Entrevistamos mães que tiveram pré-eclâmpsia. Uma delas, Michelle Susan, quase faleceu devido à Hellp que a acometeu em sua gestação. Mas, felizmente, tanto ela como o seu bebê saíram sem sequelas. Inclusive, ela chegou a tomar a injeção para acelerar o desenvolvimento dos pulmões da criança e o parto poder ser realizado antes das 40 semanas. Assista ao vídeo e conheça um pouco mais sobre essa história emocionante que, apesar das atribulações, teve um desfecho bem feliz!

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