Pré-eclâmpsia pós-parto: especialista explica essa condição

1 de novembro de 2019

A Pré-eclâmpsia está entre as principais causas de mortalidade materna, caracterizada por aumento da pressão arterial associado a alguma disfunção de órgãos (rim, fígado, cérebro) e presença de proteína na urina ou de outros sintomas e sinais.  Ela pode aparecer na gestação, a partir da 20ª semana, mas também se desenvolver no pós-parto, geralmente, na primeira ou na segunda semana, podendo ocorrer até seis semanas depois.

Muitas pessoas ainda desconhecem essa condição e que ela pode ocorrer após o nascimento do bebê. Por isso, conversamos sobre o assunto com o Dr. Mário Macoto Kondo, Coordenador da Obstetrícia da Maternidade Pro Matre Paulista. Segundo ele, o alerta maior é na primeira e segunda semana ou durante todo o puerpério, pois nesse período a mãe geralmente está dedicada ao bebê, acaba descuidando de sua saúde e pode não se atentar aos sintomas discretos. 

Confira a entrevista e entenda sobre a pré-eclâmpsia no pós-parto!

 

MQA: Em que condições é possível desenvolver a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia no pós-parto? Qual a diferença entre as duas?

DR. MÁRIO KONDO: A pré-eclâmpsia caracteriza-se pelo aumento de pressão arterial, a partir da 20ª semana de gestação, acompanhado de perda de proteínas na urina, chamada de proteinúria (que sinaliza haver dano renal), ou de outros sintomas e sinais, como dor de cabeça, alterações na visão, dor abdominal, ganho de peso, edema de membros inferiores, inchaço das mãos e rosto. Se não for controlada, leva à eclâmpsia, fase mais grave, caracterizada por convulsões. As causas dessa enfermidade ainda não estão bem estabelecidas, sendo multifatorial (predisposição genética, imunológica, alteração vascular, estresse oxidativo, etc).

 

MQA: Em qual período do pós-parto que elas podem aparecer (até quanto tempo depois)?

DR. MÁRIO KONDO: No geral, o tratamento para a pré-eclâmpsia é fazer o parto para observar a melhora da condição clínica em um prazo de 24 a 48 horas, pois a retirada da placenta auxilia na melhora espontânea da doença. Algumas pacientes puérperas também podem desenvolver esse quadro após o nascimento do bebê, geralmente na primeira ou na segunda semana, podendo ocorrer até seis semanas depois. O alerta maior é na primeira e segunda semana ou durante todo o puerpério, pois nesse período a mãe geralmente está plenamente dedicada ao bebê e pode descuidar de sua saúde e não se atentar aos sintomas discretos.

 

MQA: Os sintomas são os mesmos de quando surgem na gravidez?

DR. MÁRIO KONDO: Não há diferença nos sintomas, que podem ser percebidos por uma dor de cabeça, alteração visual, dor abdominal, edema ou inchaço no pós-parto.

 

MQA: Qual o tratamento nesses casos?

DR. MÁRIO KONDO: As mulheres com pré-eclâmpsia leve devem fazer repouso, medir com frequência a pressão arterial e adotar uma dieta com pouco sal. Com prescrição médica, fazer uso de medicação anti-hipertensiva e, em casos graves poder necessário a internação para ser medicada com sulfato de magnésio para diminuir o risco de ter a eclâmpsia, e melhora das condições gerais e vigilância.

 

MQA: Essas condições no pós-parto deixam sequelas? Quais os riscos?

DR. MÁRIO KONDO: Se ela não for tratada adequadamente, pode ter convulsão, hemorragia cerebral, lesão do fígado com ou sem rotura, afetar os rins, podendo levar ao óbito.

 

MQA: Como prevenir?

DR. MÁRIO KONDO: O pré-natal adequado pode prevenir possíveis complicações graves e antecipar o tratamento. Comidas com teor de sódio mais baixo e alimentação saudável, atividade física moderada, diminuição do estresse, podem ajudar na prevenção das formas graves. Mas caso alguns desses sintomas descritos sejam sentidos, é preciso procurar o pronto-atendimento o mais rápido possível.

 

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