Suplementação de nutrientes: o que você precisa saber?

9 de outubro de 2018

As ofertas de polivitamínicos e minerais nas prateleiras são muitas, mas nem sempre é preciso apelar às doses extras de nutrientes para reforçar a saúde do seu filho. A suplementação é importante quando se tem indicação precisa, do contrário, pode impedir um olhar mais amplo para a alimentação como um todo, além de ser prejudicial e tóxica.

Mãe Que Ama conversou com a Nutróloga Pediatra Dra. Fernanda Morando, que esclarece os principais pontos que os pais precisam saber sobre esse assunto.


MQA: Há muitos complementos, suplementos vitamínicos à venda. A real necessidade de suplementação acompanha essa grande quantidade ofertada ou é pequena entre as crianças em seus primeiros anos de vida?

DRA. FERNANDA MORANDO: No mercado, existem diversos tipos de polivitamínicos e minerais e o apelo pelo consumo destes é muito alto. Existe uma falsa impressão de que quanto maior o número de vitaminas e minerais dentro do frasquinho, melhor é este produto. Para a prescrição de polivitamínicos na rotina deve-se levar em consideração a condição de saúde, peso, alimentação e uso de medicamentos pela criança.
A suplementação vitamínica é recomendada apenas em situações específicas, onde não existe possibilidade de atingir as recomendações via alimentação ou quando se tem carências nas quais além da dose de suplementação também podem ser necessárias doses de tratamento.


MQA: A vitaminas D e o ferro são os indicados normalmente pelos pediatras. Qual é a orientação correta e segura preconizada? Você destacaria outras vitaminas, nutrientes necessários suplementar nos primeiros anos de vida?

DRA. FERNANDA MORANDO: A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que seja suplementado vitamina D e ferro nos dois primeiros anos de vida. Levando em consideração se o bebê nasceu a termo ou prematuro, o pediatra deve estabelecer as dosagens e o momento de início da suplementação. Prematuros ou crianças com doenças específicas podem necessitar de suplementação adicional conforme o histórico individual. Observar os hábitos alimentares da criança e família é a melhor maneira para pensarmos em possíveis carências específicas.


MQA: A suplementação inadequada é um problema e pode trazer riscos à saúde da criança?

DRA. FERNANDA MORANDO: A suplementação diária de vitaminas e minerais deve ser bem indicada, assim como os limites máximos propostos. Este limite máximo evita superdosagens e efeitos tóxicos que alguns destes nutrientes possam apresentar.


MQA: Passados os períodos indicados pelo pediatra, como os pais podem saber se a criança em algum momento necessita de suplementação? Além dos exames de sangue (que muitas vezes não são frequentes em crianças), existem sintomas aos quais deve-se atentar e desconfiar?

DRA. FERNANDA MORANDO: Uma alimentação equilibrada pode fornecer a uma pessoa saudável todos os nutrientes necessários e nas quantidades adequadas. Por isso é tão importante ter hábitos saudáveis. Os sinais clínicos da deficiência de micronutrientes costumam aparecer já numa fase mais avançada, definimos como fome oculta essa carência silenciosa. Sendo assim, a melhor forma de prevenção é se atentar à variedade e equilíbrio da alimentação infantil.


MQA: Que mensagem você deixa para os pais sobre nutrição e a suplementação de vitaminas na infância?  

DRA. FERNANDA MORANDO: A suplementação de vitaminas na infância é de importância fundamental quando se tem indicação precisa. A falsa ideia que vitaminas não fazem nenhum mal à saúde estimulam o consumo indiscriminado de produtos desnecessários, garantem um conforto ilusório aos pais de que a criança está protegida nutricionalmente e impedem um olhar mais amplo para a alimentação como um todo.
A prescrição deve ser sempre orientada por um profissional capacitado (médico ou nutricionista) e baseada no histórico alimentar e hábitos de vida da criança e seus familiares. Mais que suplementar nutrientes via medicamentos, é importante que os pais tenham consciência que uma alimentação saudável e equilibrada é o melhor caminho para garantir ao seu filho todos os nutrientes necessários e que faz parte de suas responsabilidades ser exemplo, incentivando bons hábitos alimentares desde o início da vida.


Sobre a entrevistada:

Pediatra com residência médica pelo Hospital Municipal Infantil Menino Jesus. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria. Nutróloga Pediatra com residência médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Especialista em Dificuldade Alimentar Infantil. Médica voluntária do ambulatório de Dificuldades Alimentares da disciplina de Nutrologia Pediátrica da UNIFESP. Vários cursos na área de alimentação infantil, englobando consultoria e manejo da amamentação, introdução alimentar, BLW e dificuldade alimentar na infância. Autora do instagram e página de facebook: manualdapediatria. Mãe da Marina.

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