Pré-eclâmpsia e o risco de problemas cardíacos no futuro

4 de outubro de 2018

A pré-eclâmpsia (aumento da pressão arterial em gestantes com mais de 20 semanas) acomete de 5 a 10% das futuras mamães e pode gerar sérias complicações à saúde delas e dos bebês. Quando bem cuidada, pode ser contornável e desaparece nos primeiros três meses após o parto. No entanto, um estudo concluiu que mulheres que tiveram essa complicação na gravidez estão duas vezes mais propensas a infarto e doenças cardiovasculares e quatro vezes mais suscetíveis à insuficiência cardíaca.
Cientistas da Universidade de Keele, no Reino Unido, checaram mais de 20 estudos que analisaram 6,5 milhões de voluntárias. Esse levantamento foi publicado em 2017 no periódico científico Circulation: Quality and Outcomes e sugere que a aparição da pré-eclâmpsia já indica um coração sobrecarregado. Por isso, especialistas afirmam que é importante adotar um estilo de vida saudável e passar por um check-up regularmente, mesmo que a pressão volte ao normal.
Sobre o resultado desse estudo, Mãe Que Ama conversou com o Dr. Guilherme Lobo, assessor médico em Medicina Fetal do Fleury Medicina e Saúde. Ele reforça a informação e faz um alerta às mães e futuras mamães. Confira a entrevista:

MQA: O estudo citado afirma que a simples aparição do quadro da pré-eclâmpsia indica um coração sobrecarregado. O que dizer sobre isso?

GUILHERME LOBO: Este estudo reforça um conhecimento que não é novo, o de que mulheres que tiveram pré-eclâmpsia são consideradas de alto risco para eventos cardiovasculares, passados muitos anos da gestação. Isto é válido para infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva e acidente vascular cerebral (AVC), entre outros, de forma a aumentar o risco de morte em decorrência destes eventos.
Outros estudos já mostraram haver risco aumentado para outras complicações como, por exemplo, insuficiência renal crônica, entre aquelas que tiveram pré-eclâmpsia na gestação. A razão pela qual existe essa associação, contudo, não é bem compreendida e intriga os pesquisadores.

É possível que os tradicionais fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes, obesidade, hiperinsulinemia e dislipidemia, que juntos compõem a síndrome metabólica, já estejam presentes, em maior ou menor grau, no momento da gestação. Está bem estabelecido que estas pacientes têm maior risco de desenvolver distúrbios hipertensivos (pré-eclâmpsia) na gravidez.

Outra possibilidade é que a instalação da pré-eclâmpsia dê o pontapé inicial para uma cascata de eventos inflamatórios que levaria a lesão crônica do revestimento interno dos vasos sanguíneos (endotélio), e por esta razão, as mulheres passariam a ter maior risco no médio e longo prazo de doenças cardiovasculares. Percebe-se assim que a relação da pré-eclâmpsia com as doenças cardíacas pode ser tanto de causa como de consequência.

MQA: Existe uma orientação médica às pacientes que passam por isso no sentido de redobrarem os cuidados com a saúde do coração após o quadro de pré-eclâmpsia?

DR. GUILHERME LOBO: Sim, deveria existir sempre. É um sinal de alerta, sobretudo, nos casos em que a doença hipertensiva se apresenta precocemente (antes de 34 semanas) e na sua forma grave. Estas pacientes, em particular, devem ser orientadas no sentido de manter hábitos saudáveis de alimentação, prática de exercícios físicos e evitar o tabagismo, além, evidentemente, de controlarem hipertensão e diabetes, caso estejam presentes.

MQA: Qual a recomendação médica nesses casos?

DR. GUILHERME LOBO: Especialmente para aquelas que tiveram pré-eclâmpsia grave e/ou precoce, é recomendável que tenham após o parto uma avaliação cardiológica e metabólica, pois é possível que neste momento sejam reconhecidos sinais da síndrome metabólica ou até mesmo de outras doenças, como a trombofilia.
É importante também que estas mulheres sejam bem orientadas e entendam que possam ter um maior risco cardiovascular futuro. Desta maneira, é fundamental que mantenham hábitos saudáveis de vida já comentados e façam acompanhamento médico regular. O risco de uma nova gestação deve ser cuidadosamente avaliado, já que a chance de apresentar novamente a doença não é baixa.

MQA: E qual o alerta para as mulheres que nos acompanham?

DR. GUILHERME LOBO: Uma vez que inúmeros fatores de risco clínicos estão associados à pré-eclâmpsia, podendo-se citar: idade materna avançada; primeira gestação; obesidade; hipertensão; diabetes; gestação gemelar e fertilização in vitro, vale chamar a atenção para a prevenção da doença. Isto poderia ser alcançado (ao menos parcialmente) controlando o peso antes de engravidar e evitando a gravidez na fase final do período reprodutivo, época em que alguns dos fatores enumerados acima aparecem com maior frequência e que mais comumente se recorre a programas de reprodução assistida.

 

*Com informações da notícia publicada no site: https://saude.abril.com.br/medicina/pre-eclampsia-dobra-o-risco-de-doencas-cardiacas-por-ate-10-anos/

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