Saúde Mamãe

Pressão baixa na gravidez: entenda 1024 359 Andre

Pressão baixa na gravidez: entenda

A pressão baixa (ou hipotensão) na gravidez é muito comum devido às alterações hormonais que provocam o relaxamento dos vasos sanguíneos. Eles crescem para receber mais sangue e levá-lo até a placenta, fazendo com que o fluxo perca força e a pressão diminua.

Apesar de não ser grave como a pressão alta (ou hipertensão) durante a gravidez, que pode levar à pré-eclâmpsia ou aborto espontâneo, as quedas de pressão podem causar grande desconforto e provocar sintomas como: sensação de fraqueza, visão embaçada, tonturas, dores de cabeça e, em casos mais graves, desmaios e quedas, colocando gestante e bebê em risco. 

A pressão baixa na gravidez deixa de ser frequente quando o volume de sangue aumenta e o organismo da grávida começa a se adaptar com uma maior quantidade de sangue. Nessa fase, a pressão tende a voltar ao normal.

 

O que fazer em caso de sensação de desmaio?

Sentar, respirar fundo e inclinar o corpo para a frente, levando a cabeça em direção aos joelhos por alguns minutos;

Deitar numa posição confortável e elevar as pernas, se possível, para ajudar a normalizar o fluxo sanguíneo;

Ingerir algo com sal, como bolacha de água e sal, por exemplo.

 

Como evitar a pressão baixa?

Para tentar manter a pressão mais regulada, deve-se evitar mudanças bruscas de posição, bebidas como álcool, refrigerantes e café, assim como comer em intervalos regulares, ingerir bastante água ao longo do dia e evitar ambientes muito quentes, por exemplo. Praticar exercícios físicos leves regularmente também são benéficos para a circulação sanguínea e a pressão arterial.

 

Importante:

Caso os sintomas de pressão baixa persistam por mais de 15 minutos ou surjam com muita frequência é recomendado ir ao hospital ou entrar em contato com o obstetra para uma avaliação clínica, pois apesar de não ser comum, a pressão baixa pode ser sinal de alguma doença que necessita ser investigada e tratada antes que coloque a gravidez em risco.

 

*Com informações do Tua Saúde

Pré-eclâmpsia pós-parto: especialista explica essa condição 1024 359 Andre

Pré-eclâmpsia pós-parto: especialista explica essa condição

A Pré-eclâmpsia está entre as principais causas de mortalidade materna, caracterizada por aumento da pressão arterial associado a alguma disfunção de órgãos (rim, fígado, cérebro) e presença de proteína na urina ou de outros sintomas e sinais.  Ela pode aparecer na gestação, a partir da 20ª semana, mas também se desenvolver no pós-parto, geralmente, na primeira ou na segunda semana, podendo ocorrer até seis semanas depois.

Muitas pessoas ainda desconhecem essa condição e que ela pode ocorrer após o nascimento do bebê. Por isso, conversamos sobre o assunto com o Dr. Mário Macoto Kondo, Coordenador da Obstetrícia da Maternidade Pro Matre Paulista. Segundo ele, o alerta maior é na primeira e segunda semana ou durante todo o puerpério, pois nesse período a mãe geralmente está dedicada ao bebê, acaba descuidando de sua saúde e pode não se atentar aos sintomas discretos. 

Confira a entrevista e entenda sobre a pré-eclâmpsia no pós-parto!

 

MQA: Em que condições é possível desenvolver a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia no pós-parto? Qual a diferença entre as duas?

DR. MÁRIO KONDO: A pré-eclâmpsia caracteriza-se pelo aumento de pressão arterial, a partir da 20ª semana de gestação, acompanhado de perda de proteínas na urina, chamada de proteinúria (que sinaliza haver dano renal), ou de outros sintomas e sinais, como dor de cabeça, alterações na visão, dor abdominal, ganho de peso, edema de membros inferiores, inchaço das mãos e rosto. Se não for controlada, leva à eclâmpsia, fase mais grave, caracterizada por convulsões. As causas dessa enfermidade ainda não estão bem estabelecidas, sendo multifatorial (predisposição genética, imunológica, alteração vascular, estresse oxidativo, etc).

 

MQA: Em qual período do pós-parto que elas podem aparecer (até quanto tempo depois)?

DR. MÁRIO KONDO: No geral, o tratamento para a pré-eclâmpsia é fazer o parto para observar a melhora da condição clínica em um prazo de 24 a 48 horas, pois a retirada da placenta auxilia na melhora espontânea da doença. Algumas pacientes puérperas também podem desenvolver esse quadro após o nascimento do bebê, geralmente na primeira ou na segunda semana, podendo ocorrer até seis semanas depois. O alerta maior é na primeira e segunda semana ou durante todo o puerpério, pois nesse período a mãe geralmente está plenamente dedicada ao bebê e pode descuidar de sua saúde e não se atentar aos sintomas discretos.

 

MQA: Os sintomas são os mesmos de quando surgem na gravidez?

DR. MÁRIO KONDO: Não há diferença nos sintomas, que podem ser percebidos por uma dor de cabeça, alteração visual, dor abdominal, edema ou inchaço no pós-parto.

 

MQA: Qual o tratamento nesses casos?

DR. MÁRIO KONDO: As mulheres com pré-eclâmpsia leve devem fazer repouso, medir com frequência a pressão arterial e adotar uma dieta com pouco sal. Com prescrição médica, fazer uso de medicação anti-hipertensiva e, em casos graves poder necessário a internação para ser medicada com sulfato de magnésio para diminuir o risco de ter a eclâmpsia, e melhora das condições gerais e vigilância.

 

MQA: Essas condições no pós-parto deixam sequelas? Quais os riscos?

DR. MÁRIO KONDO: Se ela não for tratada adequadamente, pode ter convulsão, hemorragia cerebral, lesão do fígado com ou sem rotura, afetar os rins, podendo levar ao óbito.

 

MQA: Como prevenir?

DR. MÁRIO KONDO: O pré-natal adequado pode prevenir possíveis complicações graves e antecipar o tratamento. Comidas com teor de sódio mais baixo e alimentação saudável, atividade física moderada, diminuição do estresse, podem ajudar na prevenção das formas graves. Mas caso alguns desses sintomas descritos sejam sentidos, é preciso procurar o pronto-atendimento o mais rápido possível.

 

Quais são as vacinas indicadas para gestantes? 1024 403 Andre

Quais são as vacinas indicadas para gestantes?

A vacinação é a melhor maneira de proteção de uma variedade de doenças graves e de suas complicações que podem até levar à morte. Vai muito além da prevenção individual. Ao se vacinar e vacinar seus filhos, você está ajudando toda a comunidade a diminuir os casos de determinadas doenças.

E as gestantes também precisam ficar com a vacinação em dia, não é mesmo?! Além de cuidarem da própria saúde, elas transferem os anticorpos aos bebês por meio da placenta e, depois, pelo leite materno, sabia? Essa proteção é fundamental nos primeiros meses de vida da criança, já que o sistema imunológico ainda está se desenvolvendo e fortalecendo.

O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações, oferta quatro vacinas para as futuras mamães:

• Hepatite B – 3 doses (a depender da situação vacinal anterior). Se a mãe transmitir hepatite B para o filho, ele corre um risco enorme de apresentar cirrose hepática e câncer hepático quando adulto. A imunização a partir do 2º trimestre de gestação;

• Dupla Adulto (dT) (previne difteria e tétano) – 3 doses (a depender da situação vacinal anterior);

• dTpa (Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) – (previne difteria, tétano e coqueluche) – Uma dose a cada gestação a partir da 20ª semana de gestação ou no puerpério (até 45 dias após o parto). Protege a mãe contra as três doenças e o bebê contra o tétano neonatal, que pode ser contraído após o parto se os instrumentos usados para o corte do cordão umbilical estiverem contaminados. No caso da coqueluche, se o bebê for acometido pela doença, ela será mais branda;

• Influenza (gripe) – Uma dose (anual). Pode ser tomada a qualquer momento da gestação, mesmo que a gestante tenha sido vacinada anteriormente. A gripe durante a gravidez pode aumentar em até 30% o risco de nascimento prematuro do bebê.

No caso da vacina contra a febre amarela, se houver surto na região em que a gestante está, o risco-benefício deve ser avaliado pelo obstetra, que indicará ou não a imunização. O mesmo vale para as vacinas que não estão indicadas no Programa Nacional de Imunização.

Lembramos que nada aqui substitui as consultas e orientações médicas, portanto, não deixe de conversar também sobre vacinação com o seu médico! 😉

Acompanhe o Calendário Nacional de Vacinação e previna-se!

Dia das Mães 1024 184 Andre

Dia das Mães

A Carmem é mãe. Tem dois filhos e uma história marcada pela Pré-eclâmpsia e Síndrome de Hellp, mas que ganhou cores, com um lindo arco-íris. Conheça e inspire-se! A informação pode salvar vidas.

Mãe Que Ama deseja a todas as mamães muitos e bons momentos com seus filhos, repletos de saúde, ensinamentos e amor!

Agradecimentos especiais:

– À mamãe Carmem, ao papai Pedro e a Manu que nos receberam em sua casa para a gravação deste depoimento.

– À Andreia Gonçalves, moderadora do Grupo do Facebook “Vencendo a Pré Eclâmpsia”, que nos apresentou essa história.

 

Feliz Dia das Mães!

www.maequeama.com.br

Trombofilia e os riscos para a gravidez 1024 184 Andre

Trombofilia e os riscos para a gravidez

A trombofilia é uma tendência de que o sangue forme trombos, ou seja, acontece quando há maior facilidade para formar coágulos de sangue, aumentando o risco de obstrução dos vasos sanguíneos e, assim, complicações como trombose venosa, AVC ou embolia pulmonar, por exemplo.

Os coágulos formados pela trombofilia surgem porque as enzimas do sangue, que fazem a coagulação, deixam de funcionar corretamente. Isso pode acontecer devido a causas hereditárias, pela genética, ou acontecer por causas adquiridas ao longo da vida, como por gravidez, obesidade ou câncer, e as chances também podem aumentar pelo uso de medicamentos, como anticoncepcionais orais. Pessoas com esta condição normalmente apresentam inchaço no corpo, inflamação das pernas ou sensação de falta de ar.

 

Trombofilia na gravidez

A gravidez em si é um fator de risco para a formação de trombos e a possibilidade de um entupimento requer atenção médica e um tratamento durante toda a gestação. Segundo o Ministério da Saúde, grávidas são até cinco vezes mais propensas a sofrer com trombofilia.

Como o sangue fica mais espesso, pode haver entupimento tanto das veias da mãe como obstrução da circulação do sangue que vai para a placenta. O risco do quadro varia muito. Elas podem apresentar desde inchaço e alterações na pele, trombose nas pernas e outros membros, até situações mais graves, como o desprendimento da placenta, pré-eclâmpsia, redução do crescimento fetal, parto prematuro, aborto e tromboembolismo (quando as artérias ou veias do pulmão ficam obstruídas), quadro que pode levar a óbito.

 

 

Sintomas

Muitas vezes essa condição é assintomática, mas um dos sinais de alerta é o inchaço repentino. Aquelas gestantes que têm pré-eclâmpsia antes de 34 semanas de gravidez também devem ficar atentas. Outro sinal de alerta é quando a barriga da mãe cresce pouco, já que o bebê não se desenvolve como esperado. Em manifestações específicas, os principais sintomas são:

– Trombose venosa profunda: Inchaço de alguma parte do corpo, principalmente as pernas, que ficam inflamadas, vermelhas e quentes;
– Embolia pulmonar: Intensa falta de ar e dificuldade para respirar;
– AVC: Perda súbita de movimentos, da fala ou da visão, por exemplo;
– Trombose na placenta ou cordão umbilical: Abortos de repetição, parto prematuro e complicações na gravidez, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia.

 

Diagnóstico

A trombofilia pode ser diagnosticada a partir da suspeita do médico clínico geral ou hematologista pela história clínica e familiar de cada pessoa, que pode pedir alguns exames como hemograma, dosagem de glicemia e colesterol, para confirmar e indicar o melhor tratamento. Quando há suspeita de trombofilia hereditária, principalmente quando os sintomas podem ser repetitivos, além destes exames, são solicitadas as dosagens de enzimas da coagulação do sangue, para avaliar seus níveis.

 

Cuidados e tratamento

A gestante deve ficar ainda mais atenta à balança e praticar atividades físicas com regularidade. Quanto mais avançada a idade da mulher, maior é o risco de trombofilia.

Se for viajar de avião, os exames do bebê têm de estar normais e, mesmo assim, os médicos só costumam liberar trajetos mais curtos, com duração máxima de 4 horas. Nesse período, é importante que a grávida se mantenha bem hidratada e tente se mexer durante o voo. No dia a dia, devem ser tomadas outras precauções gerais, como uso de meias elásticas, controle clínico e obstétrico regular.

De acordo com o histórico pessoal e familiar, e com os resultados dos exames de trombofilia, pode ser necessário uso de heparina e/ou ácido acetilsalicílico, entre outros medicamentos.

O tratamento também é feito com anticoagulante injetável: a aplicação diária de injeções de enoxaparina, princípio ativo que freia a coagulação. Elas são administradas em casa, pela própria mulher ou familiares, na barriga ou na parte interior da perna, e a dose pode variar de acordo com as situações e recomendações médicas para cada caso.

Vale destacar: mesmo com o tratamento, a gestação de grávidas com trombofilia é sempre de alto risco. Por isso, é preciso fazer um pré-natal rigoroso, acompanhando bem de perto tanto a saúde da mãe como a do bebê.

Pré-eclâmpsia: Confira entrevista com Dr. Javier Miguelez 1024 184 Andre

Pré-eclâmpsia: Confira entrevista com Dr. Javier Miguelez

Sempre que falamos em Pré-eclâmpsia recebemos muitos comentários com depoimentos, histórias reais e também perguntas sobre a doença. Percebemos que este é um assunto ainda carente de informações e cercado de dúvidas por parte das futuras mamães. Por isso, insistimos em trazê-lo aqui com diversas abordagens.

Dessa vez, conversamos com o Dr. Javier Miguelez, assessor médico sênior de Medicina Fetal do Fleury Medicina Diagnóstica. Perguntamos sobre diagnóstico e sua importância, principais exames que contribuem para a descoberta da doença logo no início, sintomas, consequências para mãe e bebê, prevenção e tratamento. O médico fala sobre a identificação precoce dos casos para prevenir as formas graves, lembra que o pré-natal só acaba com o parto e alerta as futuras mamães: “o melhor tratamento é a prevenção”.

Confira a entrevista, tire suas dúvidas e aproveite para compartilhar com outras mamães. Vamos juntas salvar mais e mais vidas com informação!

MQA: Qual a importância do diagnóstico precoce de pré-eclâmpsia?

DR. JAVIER MIGUELEZ: A pré-eclâmpsia é um distúrbio que acomete, segunda a OMS, cerca de 5% das mulheres grávidas a partir da 20ª semana de gestação. Embora a maioria dos casos tenha uma evolução benigna, se não diagnosticada a tempo, algumas gestantes podem evoluir para uma de suas formas graves, em particular: a síndrome HELLP e a eclâmpsia. A primeira se caracteriza por lesões no fígado e nos rins e destruição de células no sangue (glóbulos vermelhos e plaquetas). Na segunda, ocorre edema (“inchaço”) do cérebro, convulsões e em alguns casos o coma, deixando em risco a vida da mãe e do bebê. Segundo o DATASUS, no Brasil, aproximadamente uma gestante por dia morre em decorrência da pré-eclâmpsia, que é responsável por cerca de 1 a cada 7 óbitos maternos. A identificação precoce destes casos é importante para prevenir as formas graves.

MQA: Sabemos que a pré-eclâmpsia pode dar sinais ou chegar de forma assintomática. O que é preciso fazer para que esse diagnóstico (no início da doença) ocorra?

DR. JAVIER MIGUELEZ: A grande maioria dos casos é assintomática nas suas formas iniciais. O sintoma mais comum no início do quadro é a presença de “inchaço” no corpo, sobretudo no rosto e nas pernas. Mas esses são achados comuns também em gestantes normais. Mesmo as formas graves, em geral, são assintomáticas. Alguns desses casos podem ser acompanhados de sintomas, mas, infelizmente, também são inespecíficos: pontos brilhantes ou escuros na vista, dor de cabeça, no estômago e embaixo das costelas, do lado direito. Por isso, o fundamental mesmo é comparecer com frequência nas consultas do pré-natal, pois o diagnóstico é em geral suspeitado inicialmente no consultório médico, pelo achado de elevação na pressão arterial. Em um pré-natal adequado as consultas, que via de regra são mensais, passam a ser mais frequentes na fase final da gestação, pois é justamente nessa época que a maioria dos casos é diagnosticada. Nas últimas semanas de gestação o ideal é que as consultas sejam semanais: o pré-natal só se encerra com o parto.

MQA: Quais os principais exames do pré-natal que são essenciais para uma avaliação da pré-eclâmpsia?

DR. JAVIER MIGUELEZ: Quando há suspeita clínica de pré-eclâmpsia, ou seja, quando a medida da pressão arterial é maior ou igual a 140×90 mmHg, o teste mais importante é um simples exame de urina, em que são avaliadas a presença e quantidade de proteínas. Alguns exames adicionais podem ser necessários para descartar uma forma grave: exames que avaliam a função dos rins e do fígado, um hemograma completo (que avalia todas as células no sangue), testes que avaliam se há hemólise (destruição de glóbulos vermelhos) e em geral avalia-se também o ácido úrico, que guarda alguma relação com a gravidade do quadro. Mas, até recentemente, não havia nenhum exame que pudesse avaliar o risco de evolução para uma forma grave. Hoje, na rede privada, dispomos de um novo teste, os biomarcadores de pré-eclâmpsia. Trata-se de um exame que avalia a atividade da doença, que é medida pela relação entre duas proteínas o sFIt-1 e o PIGF. Tratam-se de marcadores bem testados do ponto de vista estatístico e com grande respaldo na literatura médica, que podem ser usados tanto para predizer os casos que têm maior risco de complicar e que talvez exijam internação quanto aqueles que provavelmente vão evoluir muito bem, evitando intervenções médicas desnecessárias.

MQA: Quando, de fato, é dado o diagnóstico de pré-eclâmpsia?

DR. JAVIER MIGUELEZ: O diagnóstico ainda é simples e “low-tech”. Basta a medida da pressão arterial (que deve ser realizada em todas as consultas durante o pré-natal) e a constatação da presença de proteínas na urina, que pode ser pesquisado no próprio consultório médico, com uma fita muito semelhante às usadas para o diagnóstico de gravidez. A presença de proteínas na urina, embora seja importante para “carimbar” o diagnóstico, não é obrigatório. Alguns casos, mesmo as formas graves, podem não ter esse sinal, anteriormente considerado imprescindível.

MQA: E quando esse diagnóstico vem, o que é preciso saber e fazer exatamente para evitar complicações e sérias consequências para mãe e bebê?

DR. JAVIER MIGUELEZ: É importante ressaltar que a grande maioria dos casos tem evolução benigna e pode ser controlada com medidas simples, como o repouso, a redução na quantidade de sal na dieta e em alguns casos o uso de medicações para baixar a pressão. Feito o diagnóstico é fundamental que as consultas médicas e, quando indicados, os exames laboratoriais sejam realizados com maior frequência. Também é importante monitorar o bem-estar do bebê, o que pode ser feito por ultrassonografias, que avaliam o crescimento fetal, o fluxo sanguíneo na placenta (o chamado Doppler) e a cardiotocografia, que avalia a frequência cardíaca fetal. Quando disponíveis, os biomarcadores de pré-eclâmpsia (relação sFlt / PLGF) dão ainda mais segurança para conduzir a gravidez. Se houver sinais de que a pré-eclâmpsia pode estar evoluindo para uma forma grave, em geral está indicada a antecipação do parto.

MQA: É possível evitar, prevenir a pré-eclâmpsia? Explique sobre isso.

DR. JAVIER MIGUELEZ: Felizmente, hoje, já há um teste disponível na rede privada que pode predizer a ocorrência de pré-eclâmpsia, logo no início da gestação: o rastreamento bioquímico do primeiro trimestre. Ele avalia três hormônios no sangue da mãe (PAPP-A – proteína A plasmática própria da gestação-, Beta HCG livre e PLGL – placental growth factor), combinados à pressão arterial, fluxo sanguíneo nas artérias uterinas (avaliado por meio de ultrassonografia) e fatores de risco materno, indicados por meio de um questionário que a gestante responde. Com tudo isso, é possível rastrear riscos de desenvolvimento de uma série de complicações na gravidez, sendo a principal a pré-eclâmpsia. Cerca de 90% dos casos mais graves podem ser detectados com esse teste. O mais interessante é que, segundo estudo recente publicado em uma das revistas médicas mais conceituadas, a administração de AAS (aspirina) na dose de 150mg nas gestantes classificadas com risco aumentado no primeiro trimestre é capaz de prevenir mais da metade dos casos de pré-eclâmpsia que se manifestam antes de 37 semanas e cerca de 80% dos casos mais graves, aqueles que exigem a antecipação do parto antes de 34 semanas. Mas atenção: essa medicação só funciona se iniciada antes de 16 semanas de gestação. Por isso pensamos que é importante realizar o rastreamento bioquímico no primeiro trimestre, sempre que o teste estiver disponível. Acredito que uma versão simplificada desse teste possa estar disponível também na rede pública em algum tempo, dada a importância que essa doença tem para a saúde pública do País.

MQA: Quais são as principais consequências da pré-eclâmpsia para mães e bebês?

DR. JAVIER MIGUELEZ: A maioria dos casos evolui bem. Mas as formas graves, se não identificadas precocemente, podem resultar em quadros maternos sérios, com internações hospitalares prolongadas e, infelizmente, até mesmo o óbito. Além dos riscos maternos, existem riscos também para o bebê, principalmente o de alterar o funcionamento da placenta, comprometendo o crescimento do bebê. Nos casos mais graves, há comprometimento da oxigenação do bebê e até mesmo óbito. Cerca de um a cada 5 óbitos fetais são decorrentes da pré-eclâmpsia. Como as formas graves podem exigir a antecipação do parto em idades gestacionais precoces, em que os bebês são muito prematuros, a pré-eclâmpsia é também responsável por cerca de um a cada 10 óbitos neonatais.

MQA: Existe tratamento? Quais são?

DR. JAVIER MIGUELEZ: O controle da doença pode ser feito com as medidas que descrevi acima: dieta pobre em sal, repouso e anti-hipertensivos. Mas a cura mesmo só ocorre com o parto. Com a retirada da placenta, o quadro materno costuma regredir totalmente. Existem novos tratamentos em estudo cujo alvo é justamente aquela molécula, o sFlt-1. Estudam-se substâncias que reduzem esse marcador ou mesmo anticorpos, desenhados para destruir essa molécula. Os resultados preliminares são promissores, mas ainda estão no terreno experimental. Mas o melhor tratamento mesmo, é claro, é a prevenção.

A Síndrome do Túnel do Carpo na gravidez 1024 184 Andre

A Síndrome do Túnel do Carpo na gravidez

Já ouviu falar na Síndrome do Túnel do Carpo? Sabia que o inchaço nas mãos durante a gravidez pode desencadear essa síndrome? Mas antes de saber do que se trata, é importante entender estas palavras:

Carpo: é a estrutura óssea do punho, entre o antebraço e a mão;
Túnel do carpo: é um canal que tem três lados formados por osso e um lado formado por um ligamento. Por dentro desse canal, passa um nervo importante, o nervo mediano;
Nervo mediano: é o responsável pelo tato no polegar, no indicador, no dedo médio e em metade do anelar, e também comanda o movimento de um músculo na base do polegar.

Assim, a Síndrome do Túnel do Carpo é uma doença do sistema nervoso que ocorre pela compressão do nervo mediano, que passa pelo canal do carpo no punho e inerva mão e dedos, causando dormência e perda de sensibilidade nas mãos, sobretudo entre os primeiros dedos, além de ardor, sensação de formigamento e até uma debilidade e dificuldade para agarrar objetos.

É uma patologia não exclusiva da gravidez, muito frequente em pessoas que realizam trabalhos ou ações que implicam movimentos repetitivos de uma das mãos, como o uso do computador ou trabalhos de costura, por exemplo, e também um problema muito comum enfrentado por futuras mamães.

Por que aparece na gravidez?

A gestação é um período em que a mulher passa por muitas mudanças e adaptações em seu organismo. As mudanças hormonais provocam uma maior retenção de líquidos: todos os tecidos, incluindo os do pulso, se embebem em líquido e tendem a inchar, reduzindo ainda mais o espaço disponível para a circulação.

É absolutamente normal sentir inchaço nas mãos durante a gravidez, mas esse inchaço, também chamado de edema, somado à retenção de líquidos decorrente das modificações hormonais em cada fase da gestação pode desencadear os sintomas que caracterizam a Síndrome do Túnel do Carpo, causada pela compressão e inflamação do nervo mediano e por isso tão frequente em gestantes.

O aumento de peso da futura mamãe também propicia uma maior possibilidade de aparecimento da síndrome, já que o tecido adiposo do punho provoca também uma maior compressão do nervo. Além disso, a predisposição anatômica desempenha um papel bastante importante: as mulheres de pulso pequeno têm, claramente, maior probabilidade de desenvolver o problema.

Diagnóstico e tratamento

O exame que permite diagnosticar com segurança a síndrome do túnel de carpo é a eletromiografia. Este método, que não possui contraindicações específicas na gravidez, consegue verificar se existem eventuais alterações na transmissão do estímulo nervoso de um músculo. Para efetuar o teste, são aplicadas umas pequenas agulhas nas extremidades onde se manifesta a síndrome, que recebem descargas elétricas de baixa intensidade.

Mas não há motivo para preocupações, porque o tratamento geralmente é bem simples e a doença tem grandes chances de desaparecer depois que o bebê nasce.

Se a dor e o formigamento estiverem interferindo no sono e na rotina, o recomendado é conversar com o médico para que o caso seja avaliado e o tratamento correto seja indicado. Importante: a gestante jamais deve tomar analgésico ou outro medicamento sem a orientação do obstetra.

Caso a dor persista por muito tempo após o parto, pode ser preciso um tratamento especial para aliviar a pressão sobre o nervo mediano, primeiro com remédios anti-inflamatórios, depois com injeções de cortisona ou, nos casos muito graves, até uma cirurgia simples, tudo dependendo da recomendação médica. O procedimento é feito através de uma pequena incisão na palma da mão, para que o médico possa fazer um corte no ligamento carpal transverso, uma das paredes do túnel do carpo, liberando assim o nervo. Com a incisão, o nervo mediano volta a funcionar normalmente.

Atitudes cotidianas podem afetar a saúde na gestação 1024 184 Andre

Atitudes cotidianas podem afetar a saúde na gestação

A gravidez é um momento muito importante que será sempre lembrado. Além das boas lembranças afetivas, virão as relacionadas à saúde e ao desenvolvimento do bebê. E para que sejam boas também, é preciso ter a consciência de que a rotina da gestante afetará diretamente o bebê e que gerar uma vida exige cuidados que vão além do pré-natal em dia e dos bons hábitos alimentares das mamães.

As futuras mamães têm a responsabilidade de pensar no bem estar da criança a todo momento, durante todas as semanas de gestação. É importante ficarem atentas até mesmo em algumas atitudes cotidianas, que muitas vezes nem se imagina que podem afetar a sua saúde e a do bebê.

Veja alguns exemplos:

O contato com a terra sem luvas: Há o risco de contaminação com parasitoses, até mesmo a temida toxoplasmose, caso tenha fezes de gatos na terra, por exemplo. A toxoplasmose na gravidez pode levar à má formação fetal e até mesmo ao aborto espontâneo.

Cigarro: Grávidas não devem fumar e nem mesmo ficar próximas de fumantes. Inalar a fumaça do cigarro dos outros, ou seja, o fumo passivo, também pode trazer riscos ao bebê, como baixo peso, envelhecimento da placenta e menos quantidade de líquido amniótico.

Não escovar os dentes corretamente: A higiene bucal deve ser sempre bem feita e após as principais refeições, pois as gestantes têm uma certa sensibilidade e uma queda na imunidade, todos os problemas podem ser agravados, inclusive em relação à saúde bucal.

Atividade física em excesso: É importante fazer exercícios físicos na gestação, mas o excesso pode causar problemas, como afetar o útero, interferindo no tamanho do bebê, que pode desenvolver até mesmo a patologia de crescimento restrito, na qual o bebê tem o tamanho muito menor do que deveria. Além disso, pode ocorrer diminuição do líquido amniótico por desidratação e insuficiência placentária, quando a placenta envelhece antes da hora. É importante saber que a quantidade de exercícios indicada para cada gestante vai depender do quanto de exercícios elas faziam antes. E mais: é imprescindível a orientação e acompanhamento do ginecologista obstetra e do profissional de educação física.

Banhos muito quentes: A temperatura muito alta da água pode causar uma queda maior de pressão, a sensação de mal-estar e até desmaio.

Alimentos não lavados corretamente: Os alimentos higienizados de forma errada, especialmente os consumidos crus como alface e tomate, podem contaminar a gestante com parasitose, toxoplasmose ou salmonelose. Por isso, é interessante evitar comer saladas em restaurantes que não são de confiança.

Cafezinho: O consumo do café e outras fontes de cafeína entre gestantes é polêmico, depende de cada médico. Alguns proíbem cafeína de qualquer tipo, pois em pessoas com tendência a vasoconstrição (diminuição do diâmetro dos vasos sanguíneos), a cafeína pode levar ao envelhecimento placentário e isso altera toda a gestação. Outros médicos permitem um consumo bem moderado. Então, é importante ficar atenta e conversar com o médico que vai avaliar cada caso. O mesmo vale para o consumo de chás.

Sal em excesso: Abusar do sal pode aumentar o risco de hipertensão em gestantes que já apresentavam tendência de desenvolver o problema, que é sério principalmente nesse momento. Entenda mais aqui.

Comer mal: Estar grávida não significa comer por dois e muito menos comer apenas alimentos pouco saudáveis. Uma alimentação equilibrada é essencial nesta fase e não fazer isso pode causar déficits nutricionais e favorecer o diabetes gestacional, pressão alta e outros problemas.

Exposição ao sol: Muito cuidado com o sol! O surgimento de manchinhas escuras no rosto e no colo, chamadas cientificamente de melasmas, podem ser evitadas de acordo com o cuidado que a mãe tem em relação à exposição solar. É importante passar o protetor solar fator 30 sempre que sair de casa e usar óculos escuros, chapéus de aba larga ou bonés. Outras manchas em locais como abdômen, seios e axilas também são comuns, contudo, grande parte delas poderá sumir após o nascimento da criança. De toda forma, é recomendado sempre confirmar a origem desses casos com um dermatologista de confiança.

Hipotireoidismo: como a doença afeta a gravidez 1024 184 Andre
hipotireoidismo

Hipotireoidismo: como a doença afeta a gravidez

O hipotireoidismo, se não tratado ou se tratado de forma incorreta, pode causar problemas sérios de saúde à gestante e ao bebê, pode ser causa inclusive de aborto espontâneo. Por isso, é muito importante o diagnóstico, o tratamento e o controle da doença, o que possibilita uma gestação normal até o fim.

Riscos para a mãe:

– Pré-eclâmpsia
– Parto prematuro
– Anemia
– Placenta prévia
– Hemorragia após o parto
– Aborto espontâneo


Riscos para o bebê:

– Problemas cardíacos de formação
– Atraso no desenvolvimento mental
– Baixo Q.I.
– Sofrimento fetal
– Baixo peso ao nascer

Como identificar?

O hipotireoidismo é mais frequente em mulheres jovens na idade de engravidar. Elas são um grupo de risco da doença, que é um quadro caracterizado por uma diminuição da produção do hormônio tireoidal (tiroxina), segregada pela glândula tireoide. Aproximadamente 1 de cada 100 mulheres em idade fértil tem hipotireoidismo e o risco de desenvolvê-lo com o avanço da idade.

Durante a gravidez, exige-se da glândula tireoide um sobreesforço, que é de 50% superior. A maior dificuldade em diagnosticar o hipotireoidismo na gravidez é que os sintomas são, com frequência, confundidos com os da própria gravidez. O cansaço, o aumento de peso e a menstruação irregular são alguns dos sintomas próprios do hipotireoidismo, e são comuns na gravidez. Essa é a razão porque pode passar despercebido. Portanto, parece justificado realizar um estudo sistemático de hipotireoidismo a todas as gestantes para investigar a sua possível existência.

Uma simples análise de sangue destinada a medir os níveis do hormônio tireoidiano (tiroxina, ou T4) e do TSH sérico (hormônio estimulante da tireoide) pode indicar o diagnóstico. Nos casos positivos, deve-se repetir a análise a cada 4 ou 8 semanas durante toda a gestação para manter o controle da doença.

Mas, na verdade, o ideal é que a mulher faça o exame para controle da tireoide antes mesmo de engravidar para evitar surpresas indesejáveis e complicações durante a gravidez. Isso ocorre na maior parte dos casos: geralmente as gestantes já têm hipotireoidismo antes da gravidez. Mas os exames de pré-natal ajudam a detectar a doença em mulheres que não apresentavam sintomas do problema.

Outros sintomas, como, por exemplo, voz rouca, lentidão ao falar, queda de cabelo, cabelo ressecado, grosso e disperso, pele seca, grossa e áspera, dor e adormecimento das mãos (síndrome do túnel do carpo), pulso lento, câimbras musculares, confusão, plantas dos pés e palmas das mãos alaranjadas, prisão de ventre, inchaço no rosto, pálpebra caída e expressão facial de aborrecimento podem indicar a doença.  

Tratamento

O tratamento básico consiste em ampliar a dose de L-Tiroxina para chegar aos requerimentos que a gravidez pede. A dose que deve ser administrada é particular para cada caso, já que se estabelece em relação aos níveis de hormônios tireoidianos. Este tratamento não apresenta risco para a saúde da mãe e do bebê. Só é preciso realizar controles periódicos dos níveis hormonais durante a gravidez para ajustar corretamente a dose de L-Tiroxina, já que exceder-se na dose pode dar lugar a um hipertireoidismo (excesso de hormônio tireoidiano).

 

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Pré-eclâmpsia e o risco de problemas cardíacos no futuro

A pré-eclâmpsia (aumento da pressão arterial em gestantes com mais de 20 semanas) acomete de 5 a 10% das futuras mamães e pode gerar sérias complicações à saúde delas e dos bebês. Quando bem cuidada, pode ser contornável e desaparece nos primeiros três meses após o parto. No entanto, um estudo concluiu que mulheres que tiveram essa complicação na gravidez estão duas vezes mais propensas a infarto e doenças cardiovasculares e quatro vezes mais suscetíveis à insuficiência cardíaca.
Cientistas da Universidade de Keele, no Reino Unido, checaram mais de 20 estudos que analisaram 6,5 milhões de voluntárias. Esse levantamento foi publicado em 2017 no periódico científico Circulation: Quality and Outcomes e sugere que a aparição da pré-eclâmpsia já indica um coração sobrecarregado. Por isso, especialistas afirmam que é importante adotar um estilo de vida saudável e passar por um check-up regularmente, mesmo que a pressão volte ao normal.
Sobre o resultado desse estudo, Mãe Que Ama conversou com o Dr. Guilherme Lobo, assessor médico em Medicina Fetal do Fleury Medicina e Saúde. Ele reforça a informação e faz um alerta às mães e futuras mamães. Confira a entrevista:

MQA: O estudo citado afirma que a simples aparição do quadro da pré-eclâmpsia indica um coração sobrecarregado. O que dizer sobre isso?

GUILHERME LOBO: Este estudo reforça um conhecimento que não é novo, o de que mulheres que tiveram pré-eclâmpsia são consideradas de alto risco para eventos cardiovasculares, passados muitos anos da gestação. Isto é válido para infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva e acidente vascular cerebral (AVC), entre outros, de forma a aumentar o risco de morte em decorrência destes eventos.
Outros estudos já mostraram haver risco aumentado para outras complicações como, por exemplo, insuficiência renal crônica, entre aquelas que tiveram pré-eclâmpsia na gestação. A razão pela qual existe essa associação, contudo, não é bem compreendida e intriga os pesquisadores.

É possível que os tradicionais fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes, obesidade, hiperinsulinemia e dislipidemia, que juntos compõem a síndrome metabólica, já estejam presentes, em maior ou menor grau, no momento da gestação. Está bem estabelecido que estas pacientes têm maior risco de desenvolver distúrbios hipertensivos (pré-eclâmpsia) na gravidez.

Outra possibilidade é que a instalação da pré-eclâmpsia dê o pontapé inicial para uma cascata de eventos inflamatórios que levaria a lesão crônica do revestimento interno dos vasos sanguíneos (endotélio), e por esta razão, as mulheres passariam a ter maior risco no médio e longo prazo de doenças cardiovasculares. Percebe-se assim que a relação da pré-eclâmpsia com as doenças cardíacas pode ser tanto de causa como de consequência.

MQA: Existe uma orientação médica às pacientes que passam por isso no sentido de redobrarem os cuidados com a saúde do coração após o quadro de pré-eclâmpsia?

DR. GUILHERME LOBO: Sim, deveria existir sempre. É um sinal de alerta, sobretudo, nos casos em que a doença hipertensiva se apresenta precocemente (antes de 34 semanas) e na sua forma grave. Estas pacientes, em particular, devem ser orientadas no sentido de manter hábitos saudáveis de alimentação, prática de exercícios físicos e evitar o tabagismo, além, evidentemente, de controlarem hipertensão e diabetes, caso estejam presentes.

MQA: Qual a recomendação médica nesses casos?

DR. GUILHERME LOBO: Especialmente para aquelas que tiveram pré-eclâmpsia grave e/ou precoce, é recomendável que tenham após o parto uma avaliação cardiológica e metabólica, pois é possível que neste momento sejam reconhecidos sinais da síndrome metabólica ou até mesmo de outras doenças, como a trombofilia.
É importante também que estas mulheres sejam bem orientadas e entendam que possam ter um maior risco cardiovascular futuro. Desta maneira, é fundamental que mantenham hábitos saudáveis de vida já comentados e façam acompanhamento médico regular. O risco de uma nova gestação deve ser cuidadosamente avaliado, já que a chance de apresentar novamente a doença não é baixa.

MQA: E qual o alerta para as mulheres que nos acompanham?

DR. GUILHERME LOBO: Uma vez que inúmeros fatores de risco clínicos estão associados à pré-eclâmpsia, podendo-se citar: idade materna avançada; primeira gestação; obesidade; hipertensão; diabetes; gestação gemelar e fertilização in vitro, vale chamar a atenção para a prevenção da doença. Isto poderia ser alcançado (ao menos parcialmente) controlando o peso antes de engravidar e evitando a gravidez na fase final do período reprodutivo, época em que alguns dos fatores enumerados acima aparecem com maior frequência e que mais comumente se recorre a programas de reprodução assistida.

 

*Com informações da notícia publicada no site: https://saude.abril.com.br/medicina/pre-eclampsia-dobra-o-risco-de-doencas-cardiacas-por-ate-10-anos/