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Mãe, como cuidar da sua saúde mental? 1024 184 Carol
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Mãe, como cuidar da sua saúde mental?

Mente e emoções são partes integrantes da nossa saúde tão essenciais à vida e tão impactantes em nossa realidade quanto o nosso corpo.  Falar em saúde mental não pode ser algo cercado de medos e preconceitos, pois essa deve ser uma das nossas prioridades todos os dias. Trazendo para a maternidade então, não precisamos e nem podemos cuidar dos outros sem cuidar de nós mesmas. E esse entendimento é um passo decisivo na busca do equilíbrio emocional tão importante nessa fase da mulher.

Os ciclos que envolvem a maternidade são acompanhados de experiências intensas e de grandes transformações sendo comum que a mulher fique mais sensível e vulnerável e assim precise de uma rede de apoio. O que ocorre é que muitas vezes as mães não sabem e não falam sobre essas dificuldades e têm medo de admitirem que precisam de apoio ao nível psicológico, mental, emocional, por receio de serem julgadas, consideradas incapazes de cuidar de seus filhos e de lidar com a maternidade. Muitas sofrem caladas.

É necessário mudar isso. E a informação é grande aliada nesse processo. Por isso, conversamos com a psicóloga e arteterapeuta especializada em perinatalidade e parentalidade, Erika Novaes, e trouxemos alguns pontos que merecem uma reflexão e podem ajudar as mamães a deixarem o medo de lado e manterem-se mentalmente sadias.


MQA: O QUE AS MÃES PRECISAM SABER SOBRE SAÚDE MENTAL E OS PRINCIPAIS CUIDADOS PARA O EQUILÍBRIO EMOCIONAL?

ERIKA NOVAES: O ciclo gravídico puerperal (gestação, parto e puerpério – [período de 6 a 8 semanas pós-parto durante o qual o corpo retorna ao estado pré-gravidez]), é uma fase delicada da vida da mulher à medida que física e psiquicamente, o processo de gestar, parir e cuidar de um bebê pode tratar-se de experiência intensa e de grandes transformações. Não é incomum que a mulher se sinta mais sensível e fique mais vulnerável. Seu corpo está mudando, os papéis sociais mudam, e a vida toda pode ser que seja resignificada. Por conta deste estado de vulnerabilidade, inconstância e desconhecimento, é que pode ser importante, e bastante benéfico que a gestante possa participar de grupos de gestantes, grupos terapêuticos, pré-natal psicológico, ou psicoterapia individual, no sentido de se permitir um encontro consigo mesma e com todas as mudanças psíquicas pelas quais está passando e ainda irá passar no puerpério.

Em algumas situações, mais que outras, é necessário que se preste mais atenção à possíveis sintomas, como por exemplo, se a gestante tem um histórico de depressão, transtorno de ansiedade, ou qualquer transtorno psiquiátrico. Nestes casos, a importância de um acompanhamento psicológico pode ser ainda mais importante.

É necessário que as mulheres saibam e falem sobre a solidão do puerpério e da maternidade, para que possam antecipar-se e tentar, na medida de suas possibilidades, criar uma rede de apoio em seu entorno.  Ter com quem contar também pode ajudar a manter-se mentalmente sadia.

 

MQA: A PSICOLOGIA FALA EM NASCIMENTO PSÍQUICO DA MÃE, QUE PODE ACONTECER EM MOMENTOS DIFERENTES. O QUE É E COMO ENTENDER ESSE NASCIMENTO?

ERIKA NOVAES: O nascimento psíquico de uma mãe acontece no momento em que ela deseja a maternidade e, mais que isso, no momento em que ela deseja aquele filho que espera e gera em seu ventre. Pode ocorrer de uma mulher gestar, parir e uma mãe nascer apenas depois do convívio com o filho. Isso não a torna, necessariamente, menos apta. Ela pode tornar-se mãe a partir da ideia de engravidar, durante a gestação, no nascimento, ou pode ser que, naquela gestação específica esse nascimento simplesmente não aconteça. É importante que isso seja dito, a partir do pensamento de que vivemos em uma sociedade que ainda acredita que exista um instinto materno capaz de nos fazer amar a priori e incondicionalmente nossos filhos, sem levar em conta a subjetividade de cada mulher, suas realidades e o próprio contingente cultural no qual estamos inseridos.


MQA: A QUE SE REFERE O TERMO “BABY BLUES” E QUAL A SUA RELAÇÃO COM A DEPRESSÃO PÓS-PARTO?

ERIKA NOVAES: Baby blues e depressão pós-parto são coisas completamente diferentes, apesar de parecerem iguais em muitos aspectos. Baby blues ou tristeza materna é um estado de melancolia no qual a grande maioria das mulheres se encontra durante parte do puerpério. Não é doença, é funcional e faz parte do processo de se haver com todas as transformações decorrentes da maternidade, e com os lutos que se faz ao parir um bebê (pela perda da barriga, pela perda do filho que se imaginava e que nunca vem igual ao que se idealizava, pela perda do papel de filha, dentre outros). Isso sem levar em conta, também, as questões hormonais.

Depressão pós-parto, por sua vez, se trata de uma depressão desencadeada por algum processo ligado ao gestar e parir/cuidar e que se dá no puerpério. É um quadro que necessita atenção, que pode requerer tratamento psiquiátrico e acompanhamento psicológico.

 

MQA: E O QUE DIZER SOBRE A AFIRMAÇÃO DE QUE “MÃE PRECISA DE COLO”?

ERIKA NOVAES: Qualquer afirmação quando se fala em maternidade, não me soa muito bem. No entanto, parece ser quase um fato consumado que mãe precisa sim de colo. Se pensarmos na maternidade como uma experiência de ruptura, do papel de filha, do corpo de antes da gestação, do filho ideal e do ideal de mãe que se tinha antes de tornar-se mãe… Ou seja, se pensarmos na maternidade como uma vivência na qual nada fica no lugar de antes, e que, por isso a mulher se encontra em um estado de vulnerabilidade psíquica, dar apoio a ela, ofertando não apenas colo, mas ouvidos empáticos e, efetivamente, ajuda prática, as chances de ela desenvolver qualquer transtorno psíquico cai, ela se sentirá, provavelmente, mais feliz e mais confiante, e uma mãe feliz e confiante, tende a desempenhar a função materna de maneira mais interessante. E quem ajuda, pode sentir-se envolto a uma experiência muito transformadora. Todos saem ganhando.


Sobre a entrevistada:

Erika S. de Novaes (CRP. 06/102892) –  nucleoanima@gmail.com
Psicóloga e arteterapeuta formada pela Universidade Paulista (UNIP), é especializada em perinatalidade e parentalidade pelo Instituto Gerar de Psicologia Perinatal e Parental.  Atua na área clínica com atendimento a gestantes, casais e puérperas, e coordenando grupos terapêuticos e oficinas criativas. Educadora perinatal pelo Gama (Grupo de Apoio a Maternidade Ativa), ministra aulas em cursos de formação e oficinas, e coordena grupos terapêuticos para profissionais do parto e doulas, além da atuação com doulagem de parto propriamente dita.

Qual o tamanho do estômago do bebê? 1024 184 Carol
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Qual o tamanho do estômago do bebê?

As mamães de plantão certamente passam ou já passaram por dúvidas do tipo: “nossa, por que meu bebê mama tantas vezes em tão pouco tempo?” ou “será que meu filho comeu pouco e ainda está com fome?”. Nesse caso, conhecer o tamanho do estômago do bebê e fazer os cálculos relacionando peso e idade podem ajudar bastante.


Explicação científica

Segundo Marcus Renato De Carvalho & Luis Alberto Mussa Tavares, no livro “Amamentação – Bases Científicas” (3a. edição):

“…a capacidade gástrica do bebê é limitada. Ela varia cerca de 7ml ao nascer a 200-250ml ao final do primeiro ano, passando para 70ml na segunda semana e aumentando conforme o peso, numa proporção aproximada de 20ml/kg/refeição. Assim, a capacidade gástrica do bebê varia de cerca de 150ml aos seis meses a 200-250ml aos 12 meses, aumentando aproximadamente, 10ml a cada mês.”


As respostas para as mamães

Então, a resposta para o fato do recém-nascido mamar tantas vezes durante o dia e a noite está aí, no tamanho do seu estômago, que ao nascer equivale a uma cereja, suportando apenas cerca de 7ml de leite. Com um estômago tão pequeno, é normal que ele esvazie rápido e precise encher de novo num curto espaço de tempo. O tamanho pequeno do estômago do recém-nascido também é o motivo das golfadas e regurgitações frequentes nesta idade, pois o estômago logo fica cheio e acontece o refluxo do leite.

Com o passar do tempo, o estômago do bebê vai aumentando de acordo com o peso e a capacidade estimada fica em 20ml por quilo, ou seja, um bebê de 5kg tem um estômago que suporta cerca de 100ml de leite. Aos seis meses, quando normalmente se inicia a introdução alimentar, a capacidade fica em torno de 150ml, ou seja, ainda bem pequeno. E até um aninho de idade, a capacidade gástrica chega a 250ml, o equivalente a uma maçã, como mostramos na imagem comparativa abaixo.

 

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Importante lembrar:

Para a criança crescer saudável, ela deve receber alimentos complementares adequados no momento oportuno e nas quantidades apropriadas. Uma alimentação adequada deve ser rica em energia, proteínas e micronutrientes, isenta de contaminação (sem germens patogênicos, toxinas ou produtos químicos prejudiciais), não muito salgada ou apimentada, fácil de ser consumida pela criança (apresentação adequada para a idade), e que seja disponível e acessível. É de fundamental importância que a criança goste da dieta e que ela seja culturalmente aceita.

Dia dos Pais 1024 184 Carol

Dia dos Pais

Mãe Que Ama deseja a todos os pais muitos e bons momentos com seus filhos, repletos de saúde, ensinamentos e participação ativa!

Agradecimentos especiais:

– Ao papai Pedro, a mamãe Carmem e a Manu que nos receberam em sua casa para a gravação deste depoimento.

– A Andreia Gonçalves, moderadora do Grupo do Facebook “Vencendo a Pré Eclâmpsia”.

Feliz Dia dos Pais!

Vacinação contra Poliomielite e Sarampo 1024 184 Carol
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Vacinação contra Poliomielite e Sarampo

É hora de proteger as crianças contra a Poliomielite e Sarampo e evitar que mais casos dessas doenças voltem ao país. A nova Campanha Nacional de Vacinação acontece de 06 a 31 de agosto de 2018 e atenção: TODAS as crianças de um ano a menores de cinco anos devem ser vacinadas, independente da situação vacinal.

Isso mesmo! A campanha de vacinação deste ano é indiscriminada, ou seja, pretende vacinar todas as crianças dessa faixa etária no país, para manter coberturas homogêneas de vacinação. Para a poliomielite, as que ainda não tomaram alguma dose durante a vida, receberão a VIP. Já os menores de cinco anos que já tiverem tomado uma ou mais doses da vacina, receberão a VOP, a gotinha. Em relação ao sarampo, todas as crianças receberão uma dose da Tríplice viral, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos trinta dias.

Segundo o Ministério da Saúde, foram adquiridas 28,3 milhões doses das vacinas, um total de R$ 160,7 milhões. Todos os estados do país já estão abastecidos com 871,3 mil doses da Vacina Inativada Poliomielite (VIP), 14 milhões da Vacina Oral Poliomielite (VOP) e 13,4 milhões da Tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba.

APROVEITE!

O dia D de mobilização nacional será sábado, 18 de agosto, quando os mais de 36 mil postos estarão abertos no país. A meta é vacinar, pelo menos, 95% das crianças para diminuir a possibilidade de retorno da pólio e reemergência do sarampo, doenças já eliminadas no Brasil.

Nos estados que registraram surtos de sarampo, a vacinação foi antecipada como medida de bloqueio para interromper a circulação do vírus. Em Roraima, a campanha iniciou em março e envolveu pessoas de 6 meses a 49 anos. Já em Manaus (AM), aconteceu em abril e o público vacinado foi de 6 meses a 29 anos de idade. E, em Rondônia, a vacinação está em andamento para crianças de 6 meses a menores de cinco anos. Durante a mobilização nacional, esses estados devem convocar novamente as crianças, na mesma faixa etária, de um a menores de cinco anos.

QUANDO?

Então, já sabem: de 06 a 31 de agosto levem as crianças a uma unidade de saúde e lembrem-se da caderneta! Aproveitem para atualizar o seu cartão de adulto também. 😉
Vacina é cuidado, é proteção!

*Com informações do Ministério da Saúde em  http://portalms.saude.gov.br/ 

Qual a posição segura para o bebê dormir? 1024 184 Carol

Qual a posição segura para o bebê dormir?

É natural que exista dúvida sobre qual posição o bebê deve dormir. Hoje, a orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria, seguindo também a Organização Mundial de Saúde, é diferente de tempos atrás: com o avanço dos estudos envolvendo vários países e milhares de crianças, foi comprovado que dormir de barriga para cima é a posição mais segura, pois reduz em até 70% o risco de Síndrome da Morte Súbita do Lactente, ou morte do berço, como é popularmente conhecida. Essa é uma das maiores causas de mortes entre bebês até um ano de idade.

 

A explicação é simples


Quando o bebê dorme de barriga para cima e volta um pouco de leite na boca, e ele engasga, por exemplo, a primeira reação é tossir ou fazer algum movimento que chamará a atenção dos pais. Estes, logo farão algo para salvar o bebê. Já se ele é colocado de bruços (barriga para baixo), pela própria imaturidade do cérebro, não percebe que está engasgado e respirando um “ar viciado” (rico em gás carbônico) para de respirar e morre silenciosamente. Além disso, quando o bebê está de barriga para baixo, ele pode engasgar e não conseguir tossir ou se mexer para chamar a atenção. E se ele estiver de lado, também não é recomendado, pois pode rolar e ficar de bruços, acontecendo a mesma situação.

 

Segundo estudiosos e especialistas, as evidências científicas sobre o assunto são inquestionáveis e as academias de pediatria dos EUA e Inglaterra, por exemplo, recomendam deitar o bebê de barriga para cima como a única posição correta. Então, fica o alerta para as mamães, papais e familiares que nos acompanham: de barriguinha para cima é mais seguro! 😉

*Com informações do blog Pediatria Descomplicada e Sociedade Brasileira de Pediatria.

 

NUPAD e a ampliação da Triagem Neonatal em MG 1024 184 Carol
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NUPAD e a ampliação da Triagem Neonatal em MG

Milhões já foram investidos para ampliar o teste do pezinho em MG, mas o projeto está parado sem previsão de retorno

Uma das principais bandeiras do Mãe Que Ama é pelo teste do pezinho AMPLIADO. Acompanhamos a situação da Triagem Neonatal em todo o Brasil e observamos que algo específico estava acontecendo em Minas Gerais. Trata-se da tentativa do Estado de ampliar o painel de doenças triadas, para o mencionado Teste do Pezinho Ampliado.

Como apurado, constatamos que o NUPAD – Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais em Belo Horizonte possui um projeto para ampliação dos testes de triagem neonatal. A intenção é triar outras doenças além das seis doenças obrigatórias triadas pelo Programa Nacional no estado de Minas Gerais.

Sobre o projeto

Segundo notícia divulgada no site do NUPAD, foram adquiridos equipamentos de alta performance, os espectrômetros de massa, em 2015, e em setembro de 2016, profissionais do laboratório participaram de capacitação para estes equipamentos em centros nos Estados Unidos. E, segundo a notícia, após essa capacitação, a próxima etapa para ampliação da técnica no NUPAD seria discutir as estratégias de trabalho e o painel de doenças a serem triadas em futuro projeto piloto. Além disso, que os equipamentos usados na técnica e adquiridos pelo Núcleo em 2015 já se encontravam prontos para utilização.

Como divulgado pelo Laboratório de Triagem Neonatal do NUPAD, a intenção era de que toda a estrutura estivesse pronta para funcionar a partir de 2015, com condições de atender à rotina de análise de 20 mil amostras mensais de sangue coletadas de recém-nascidos de todo o estado. E isso, infelizmente, não aconteceu. Pelo menos, não no que diz respeito ao teste do pezinho ampliado.

Apesar do investimento em equipamentos na ordem de 1,5 milhões de dólares e de todo o investimento em capacitação da equipe para atuação, a Triagem Neonatal não foi ampliada e os teste do pezinho que continuam sendo feitos até hoje tratam-se apenas da versão básica e obrigatória, que deve diagnosticar com antecedência apenas seis doenças.

Buscamos respostas

Mãe Que Ama procurou o NUPAD para entender o motivo do programa de ampliação não ter ido adiante. Por meio da assessoria de comunicação, o NUPAD informou por telefone que o projeto estava parado por falta de parceria. Por e-mail, limitou-se a confirmar sobre a paralização do projeto: “a ampliação das doenças detectadas pela triagem neonatal está parada e, por enquanto, ainda não temos uma previsão de quando começará a funcionar. Assim que tivermos uma previsão dessa ampliação, entramos em contato”. O e-mail é assinado pela jornalista Larissa Rodrigues, do Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG.

Não satisfeitos com a resposta, levamos a questão ao Ministério da Saúde, que por meio da assessoria de comunicação, apenas respondeu, por e-mail, que a questão deveria ser apurada junto ao órgão mencionado (o NUPAD).

De volta ao NUPAD buscando mais informações sobre o que estava acontecendo com o projeto no qual milhões de dólares foram investidos, mas que não estava em funcionamento, conforme planejamento inicial, obtivemos a resposta: “A sua demanda foi repassada para a diretoria do NUPAD, que está verificando exatamente o status dos projetos para podermos respondê-la com precisão”, dessa vez assinada pela jornalista Mariana Pires. O e-mail é de 13 de abril de 2018. Algumas tentativas de contato posterior foram frustradas. A mais recente, enviada por e-mail no dia 15 de junho, obteve como resposta que a solicitação foi repassada novamente para a diretoria do Núcleo e que também estão aguardando o retorno. Este e-mail é do dia 19 de junho de 2018, também assinado pela coordenadora de jornalismo, Mariana Pires.

E assim, até o momento, Mãe Que Ama continua sem as respostas prometidas. Com isso, o que constatamos até aqui é que milhões foram investidos em recursos humanos, tecnologia e infraestrutura e NADA fora revertido em benefício das crianças e famílias mineiras. Lamentável!

Continuaremos acompanhando e apurando em busca de respostas!

 

Atualização 22/06/2018:

Recebemos uma resposta em nome do diretor do NUPAD, o professor José Nélio Januário. Segue na íntegra:

“O diretor do Nupad, professor José Nelio Januario, informou que o Núcleo está preparado tecnicamente para realizar a triagem neonatal ampliada. Entretanto, não há financiamento do SUS para o painel de teste neonatal ampliado, bem como não existe financiamento do SUS para o tratamento das crianças que por ventura forem identificadas nas novas doenças incluídas neste teste ampliado. O Nupad está planejando realizar um estudo piloto sobre isso, mas não temos como confirmar quando poderá ser iniciado, exatamente pela dificuldade de financiamento para este estudo”.

A informação foi encaminhada por e-mail a nossa equipe, às 17h35 do dia 21 de junho de 2018, por meio da Assessoria de Comunicação da Faculdade de Medicina da UFMG, com assinatura novamente da coordenadora de jornalismo Mariana Pires.

Mãe Que Ama volta a afirmar: milhões de reais já foram investidos em recursos humanos, tecnologia e equipamentos em troca de que? Como o NUPAD afirma ainda estar estudando um projeto piloto, três anos depois de ter realizado o investimento? Por que os equipamentos foram comprados e as equipes treinadas se não havia nada certo ainda?

E sobre a justificativa de que não existe financiamento do SUS para o tratamento das crianças que por ventura forem identificadas nas novas doenças que seriam incluídas no teste ampliado, então, o direito de descobrir precocemente uma doença, de saber o que se tem, independente de tratamento disponível e cura, não deve ser considerado? E mais: no Distrito Federal, o teste do pezinho realizado é o ampliado, capaz de detectar 30 doenças. O projeto pioneiro no Brasil foi implantado em 2012 e nos três primeiros anos, registrou uma queda de 2,1% na taxa de mortalidade infantil, segundo a médica responsável, Dra. Maria Terezinha de Oliveira Cardoso.

Fica então mais uma pergunta: por que deu certo no Distrito Federal e ainda é incerto em Minas Gerais, mesmo com toda estrutura pronta para colocar em prática a ampliação do Teste do Pezinho?

Descomplicando o Teste do Pezinho: entrevista com Dra. Kelly Oliveira 1024 184 Carol
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Descomplicando o Teste do Pezinho: entrevista com Dra. Kelly Oliveira

*Atualização em 11 de junho de 2019.

O que mais procuramos fazer aqui é descomplicar a saúde gestacional e neonatal por meio da informação correta e confiável. Para isso, contamos com uma equipe de profissionais, incluindo médicos e especialistas parceiros que nos ajudam nessa importante missão. Na mesma linha, está a Dra. Kelly Oliveira, criadora e autora do blog Pediatria Descomplicada, no qual escreve dicas e orientações aos pais sobre o universo da saúde infantil, sem complicações.

Como junho é mês de conscientização do Teste do Pezinho, fomos buscar uma opinião descomplicada sobre o assunto, de grande importância para a manutenção da saúde do bebê e até mesmo para salvar vidas. Conversamos com a Dra. Kelly, que agora também é mamãe da Esther. Ela conta que a sua filha fez o teste do pezinho ampliado e defende a ampliação do exame no Brasil.

Confira a entrevista!

MQA: O que você diria que é preciso para “descomplicar” o Teste do Pezinho?

DRA KELLY: É preciso explicar sobre as doenças graves que ele detecta, qual o procedimento e para que ele serve de fato. Na verdade, a única forma da gente descomplicar e ajudar os pais é levar sempre informação de qualidade, informação confiável em todos os níveis, de forma acessível, tranquila, fácil. Essa é a grande questão de descomplicar nessa área.

MQA: O que dizer então para os pais sobre a importância do Teste do Pezinho e por que ele deve ser feito entre o terceiro e o sétimo dia de vida do bebê?

DRA KELLY: O teste do pezinho é um teste simples de coleta de sangue, de preferência no terceiro dia de vida do bebê, ainda na maternidade, no dia da alta. Ele vai avaliar algumas doenças que são muito graves, porém se detectadas precocemente, na primeira semana de vida do bebê, permite iniciar mais cedo o tratamento adequado e dar todo o suporte necessário, mudando a evolução da doença nesse bebê, o que vai fazer toda a diferença na saúde dele e no seu desenvolvimento.

No caso do teste do pezinho básico, que é o obrigatório pelo SUS, ele vai fazer a detecção de algumas doenças, mas não de todas que o teste ampliado cobre. Este é bem mais completo e cobre a toxoplasmose congênita, doenças de aminoácidos, outros erros inatos do metabolismo, outras doenças que são ainda mais raras, porém, que se a criança tiver, são graves e demandam uma intervenção o quanto antes, por isso a sua importância. Quanto mais precoce forem detectadas, melhor para o início do tratamento adequado desde o começo, por isso a recomendação de ser feito nesse período.

MQA: Na sua opinião, a população está consciente da importância do Teste do Pezinho ou ainda é preciso avançar? O que precisa ser feito para isso?

DRA KELLY: Acredito que as pessoas sabem que o Teste do Pezinho existe, que faz a identificação de algumas doenças, porém acho que existe um desconhecimento com relação ao impacto que essas doenças podem causar, por que que o exame é importante, quais são essas doenças que ele detecta. Acredito que ainda precisamos avançar muito sobre isso, principalmente conscientizar a população, difundir informação para todos. É preciso ter na maternidade alguém para explicar sobre isso, falar sobre o assunto. Os próprios obstetras também poderiam conversar e orientar sobre o Teste do Pezinho ainda na gestação, porque é uma coisa que não fica muito clara, infelizmente. Além disso, as consultas de pré-natal com o pediatra, que alguns pais fazem, que é direito da mãe, mas que ainda não é muito difundido, poderiam ajudar bastante. O pediatra pode explicar sobre o exame, as vantagens, as diferenças entre o teste básico e o ampliado, quando ele deve ser feito, e assim os pais receberiam a informação correta antes mesmo do bebê nascer.

MQA: Você falou sobre a consulta de pré-natal com o pediatra, que é um direito da mãe, mas que ainda não é um direito muito difundido. Funciona em todo o país? Esta pode ser uma importante aliada do processo de conscientização dos pais sobre a importância do teste do pezinho, não é mesmo? Por que não se fala sobre isso?

DRA KELLY: Hoje, a ANS garante esse direito de fazer consulta pré-natal com pediatra. A recomendação é a partir da 34ª semana ou terceiro trimestre de gestação, mas muitos obstetras nem sabem dessa informação ou simplesmente não repassam para os pacientes talvez por não achar que seja importante mesmo. Então, o foco fica sendo o acompanhamento até o parto e depois do parto os pais ficam perdidos. Esse que é o problema, não dar a devida importância e relevância ao assunto. A Sociedade Brasileira de Pediatria já divulga isso como um direito da mãe, mas até conseguir difundir melhor leva tempo. Sem dúvida, a consulta pré-natal com o pediatra é uma grande aliada nesse processo de conscientização dos pais sobre a importância do teste do pezinho.

MQA: Sobre o Teste do Pezinho ampliado/expandido, disponível apenas na rede privada, qual a sua opinião?

DRA KELLY: Acho importante, se for possível, que os pais façam o Teste do Pezinho ampliado no seu filho porque detecta uma lista maior de doenças, muitas ainda mais raras e sérias. O teste básico já cobre doenças mais comuns, claro que também importantes de fazer o diagnóstico precoce, mas sempre que possível fazer o teste ampliado é melhor porque vai fazer toda a diferença no tratamento do bebê, desde o início.

MQA: Você recomenda o teste ampliado aos seus pacientes?

DRA KELLY: Recomendo sempre para os meus pacientes o Teste do Pezinho ampliado, para proporcionar um diagnóstico mais completo e maior segurança na detecção de mais doenças. Recomendo que, sempre que for possível, os pais optem pelo mais completo de todos.

MQA: O que você acha do Programa Nacional de Triagem Neonatal? Na sua opinião, o Teste do Pezinho ampliado deveria ser incluído no SUS?

DRA KELLY: Acho que o Programa no Brasil é bom, o Teste do Pezinho está bem estabelecido, mas ainda é muito básico, são poucas doenças que são cobertas. Seria bem melhor, sem dúvida, se oferecesse um teste ampliado. A gente sabe que isso tem relação com custo benefício, incidência das doenças, que em termos populacionais tem que fazer sentido, mas seria sim importante estar disponível para todos.

Posso dizer que como mãe queremos o melhor para nossos filhos e principalmente protegê-los. Isso inclui as doenças também. Fiz o teste do pezinho ampliado na Esther e acho tão importante que todos tenham essa oportunidade, de poder identificar uma doença que tem tratamento o quanto antes, para podermos dar o melhor tratamento aos nossos filhos. Isso também é cuidar e amar. Espero que o governo reconheça isso e possa oferecer o teste do pezinho ampliado à toda a população.

 

Ajude a mudar histórias e salvar vidas. Assine a petição para viabilizar o Teste do Pezinho Ampliado na rede pública de saúde de todo o Brasil: www.pezinhonofuturo.com.br 

 

Sobre a pediatra Dra. Kelly Oliveira:

Formada pela Universidade de São Paulo (USP), apaixonada pela profissão e pelas crianças. Fundadora e idealizadora do Espaço Médico Descomplicado, um espaço de atendimento integral e humanizado à criança, com atendimento multidisciplinar de diferentes áreas. Adora conversar, ler, viajar e escrever. Criadora e autora do blog Pediatria Descomplicada, onde escreve dicas e orientações aos pais sobre o universo da saúde infantil.

Mais: www.pediatriadescomplicada.com.br