Amamentação requer informação e acolhimento. Leia mais.

31 de agosto de 2020

Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre a Amamentação, muitas informações são compartilhadas em diversos canais de comunicação, inclusive o nosso, reforçando a importância desta linda missão de alimentar e nutrir o bebê com o melhor, o leite materno. Mas é preciso lembrar sempre que amamentar é também um ato de escolha da mulher, deve ser uma decisão confortável e feliz com a participação e apoio de toda a família e de toda a sociedade. Em muitos casos e por diversos motivos, pode ser que a amamentação não aconteça. E está tudo bem, ninguém será mais ou menos mãe por ter ou não ter amamentado. 

A Enfermeira Especialista em Amamentação, Marcelly Cossi, nos enviou um texto como sugestão para a reflexão sobre o assunto. Confira abaixo! 

Nesse momento, o mundo nos fez um convite inadiável para olhar para quem nós somos: a natureza. Alguns dizem que somos parte dela, mas digo que somos a própria natureza. E esse convite para se sentir dessa maneira é desafiador e, ao mesmo tempo, urgente. A degradação ambiental que afeta o mundo favorece o surgimento de pandemias como o coronavírus, então olhar para nossas ações e sobre como elas têm afetado o meio ambiente se faz sempre pertinente.  Nessa perspectiva, a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM) 2020 trouxe em agosto um tema interessante de ser debatido: Apoie o aleitamento materno por um planeta saudável.

Como o apoio ao aleitamento materno colabora para um planeta saudável?  A SMAM destacou o leite materno como um fator que colabora para o desenvolvimento de um sistema alimentar saudável, pois a alimentação com substitutos do leite materno está diretamente relacionada à degradação ambiental. Desde sua produção, que gera emissão de gases de efeito estufa e desmatamento, até o seu descarte, que produz elevada quantidade de resíduos que poluem o meio ambiente. Sim, esse tema é muito relevante, principalmente mediante às prescrições desmedidas dos substitutos de leite materno e marketing pesado das indústrias. 

Porém, é também muito relevante perguntar-se: o que o planeta está fazendo para apoiar o aleitamento materno? Quem dá sustento à mulher em meio à complexidade da maternidade? E aqui eu destaco que mediante a discussão de apoiar o aleitamento materno, é necessário ampliar o debate sobre a importância de apoiar as mulheres envolvidas nesse processo, pois amamentar está longe de ser fácil. Distante do discurso de que é de graça, a amamentação é onerosa para quem amamenta. E essa compreensão requer consciência global para que haja um real apoio individual e institucional às mulheres. 

Para além da rede de apoio individual, é necessário o suporte das comunidades e garantias de apoio dos sistemas de saúde com profissionais aptos para o acompanhamento e aconselhamento em amamentação. As mulheres têm direito à informação e aqui eu destaco o papel essencial dos consultores em amamentação, que são profissionais capacitados e imersos na realidade posta e capazes de desenvolver um plano de ação para cada família, envolvendo habilidades de aconselhamento, avaliação, reconhecimento e resolução de intercorrências no processo de aleitamento e, mais importante de tudo, um profissional que deve respeitar e apoiar a escolha da mulher sobre amamentar. Sim, as mulheres têm também o direito de escolher e serem acolhidas na sua opção. Nenhuma mulher será menos mãe por isso, a amamentação não irá determinar a maternidade! 

Destaco também a necessidade de se discutir as garantias relativas ao local de trabalho acerca de como os empregadores precisam reconhecer e facilitar a vivência da maternidade pelas mulheres que empregam. Sem falar na construção de políticas que deem o amparo que a maternidade necessita, bem como o fortalecimento do monitoramento da promoção comercial dos produtos que interferem no aleitamento materno.

Para que a amamentação apoie a saúde do planeta, o planeta precisa também cumprir seu papel de apoiar a amamentação.

Amamentar deve ser um pacto social e não é só responsabilidade da mulher! É um compromisso de todos!

*Autora: Marcelly Cossi, Enfermeira Especialista em Amamentação, Professora Dra. da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), coordenadora do Grupo Deleite. 

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